A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 26/04/2021
A hodierna Era Digital- iniciada no final do século XX com a dinamização dos fluxos informacionais pelos avanços tecnológicos na área da comunicação-, confere um papel de destaque à Internet: serve de ferramenta para a realização de inúmeras atividades, desde “bate-papos” online até cursos de bacharelado à distância. Nesse sentido, qualquer problema relacionado a seu uso impacta diretamente na sociedade. Assim, o analfabetismo digital presente no Brasil, impulsionado pela educação de baixa qualidade nas escolas públicas, resulta na intensificação das desigualdades socioeconômicas.
Sob esse viés, deve se considerar a precária educação gratuita no país como uma das causas do entrave. Os estudantes da rede pública, que muitas vezes não têm o essencial fornecido pelo governo- sofrendo, por exemplo, com salas de aula estragadas pela falta de manutenção-, dificilmente terão acesso a aulas de informática. Dessa maneira, o Estado é responsável pela formação de jovens que não sabem utilizar a Internet, portanto, despreparados para a vida em sociedade dada a grande importância do meio digital nas relações humanas do século XXI. Além disso, ao não terem tido plenas condições de aprendizagem fornecidas pelo governo, jovens de famílias de baixa renda têm o seu direito à educação, previsto pela Constituição Federal de 1988 em seu artigo sexto, relegado.
Consequentemente, as desigualdades socioeconômicas se intensificam já que apenas aqueles que podem pagar por uma educação de qualidade são ensinados a utilizar a Internet corretamente. Assim, o Brasil, que segundo o IBGE tem a nona sociedade mais desigual do mundo, tem mais um fator para se preocupar. Assim, a população com baixo poder aquisitivo do país encontra-se em segundo plano na sociedade, não acompanhando os avanços tecnológicos e se tornando analfabeta no meio digital.
Depreende-se, portanto, que a questão do analfabetismo digital no Brasil exige intervenção por se relacionar com a educação de baixa qualidade da rede pública de ensino e com as disparidades socioeconômicas. Para isso, é imprescindível que o MEC, por intermédio de políticas públicas, forneça aulas de informática nas escolas- com recursos financeiros disponibilizados pelo governo federal para a contratação de profissionais qualificados para ministrarem as aulas- a fim de que os jovens aprendam desde cedo a usar a Internet e os índices de analfabetismo digital caia. Assim será consolidada uma sociedade menos desigual, em que todos saibam como navegar no meio digital.