A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 03/05/2021
O filósofo e educador Paulo Freire afirmou que ‘‘Niguém ignora tudo, ninguém sabe tudo. Por isso aprendemos sempre’’. Sob essa óptica, no contexto social brasileiro vigente, tal perspectiva não se faz presente, uma vez que o analfabetismo digital é uma problemática assídua. Diante disso, faz-se necessário medidas interventivas para combater a questão, a qual é agravada devido à disparidade social, bem como à falta de instrução escolar relacionada ao campo tecnológico.
Em primeiro lugar, é imperativo destacar o impacto desigualdade social no acesso da população desprovida de capital ao ciberespaço. Nessa lógica, segundo o índice de Gini, medida que designa o grau de desigualde num país, o Brasil está entre os 10 países mais desiguais do mundo. Nesse sentido tal disparidade faz com que uma parcela da população não tenha afinidade com os recursos digitais, o que resulta em uma dificuldade de aptidão às ferramentas tecnológicas. Desse modo, devido à sua condição social, parte da população brasileira é impedido de ter acesso ao mundo digital, fato que, consequentemente, reverbera esse entrave.
Outrossim, convém ressaltar a falta de uma educação formadora , sendo um dos fatores principais que validam a problemática. Segundo a concepção durkheiminiana, a educação é considerada como um bem social, que tem como objetivo suscitar e desenvolver no indivíduo certo número de estados físicos, intelectuais e morais. Entretanto, na realidade do Brasil, essa concepção não é concretizada no âmbito digital, visto que as instituições de ensino não ofertam as devidas ferramentas para o aprimoramento na área. Desse modo, enquanto o ambiente escolar não preparar corretamente seus discentes, o entrave do analfabetismo, no que tange à tecnologia, perpetuará sob o Brasil.
Infere-se, destarte, a necessidade de medidas interventivas que cessem essa questão. Para tanto, compete ao Ministério da Educação programas sociais que promovam workshops, de forma gratuita, sobre introdução na rede digital, tendo como intuito a familiarização do povo brasileiro com a ferramenta. Ademais, também compete às escolas a promoção de ações educativas relacionadas ao aprendizado digital, por meio de atividades nas redes de computadores, que instruam, de forma didática, uma melhor usuabilidade das ferramentas digitais e, consequentemente, a alfabetização da sociedade no tocante à tecnologia. Feito isso, o Brasil poderá, gradativamente, mudar o cenário vigente.