A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 07/05/2021

Em um capítulo da série televisiva “Black Mirror”, é relatado um cenário distópico comandado por máquinas e computadores, em que a partir do modo em que a comunidade cibernética enfrentava suas emoções e seus problemas, deram margem para que tal quadro não viesse a ser discutido através de debates e rodas políticas naquele determinado contexto. Portanto, na atualidade, é fato que o mundo informativo está se tornando cada vez mais corroborativo para as relações sociais e de sobrevivência, entretanto, na grande maioria das vezes, perpetua-se desigual. A partir disso, tal fato é resultante, principalmente do avanço de algumas esferas sociais associado à falta de debates e ações do Estado para amenizar o impasse.

Em primeira análise, é importante destacar que, segundo dados do Centro Regional e Estudos para Desenvolvimento da Sociedade da Informação, apenas 74% da população brasileira possui acesso a internet, ou seja, grande parcela de usuários comunicativos e redes não obstem da gama limitada de acesso a conteúdos informacionais. Dessa forma, gradativamente, essa minoria, devido a condição social, é impossibilitada de ter acesso a meios comunicativos e informacionais, fato que corrobora para o entrave.

Por conseguinte, é imperativo destacar a falta de uma educação formadora como um dos fatores que validam a persistência da problemática. Segundo Roger Chatier, grande historiador contemporâneo, a escola deve funcionar de modo a ser uma ponte em que o poder público intervém na formação da sociedade, inclusive, no âmbito digital. Entretanto, na realidade do Brasil esse ideal não é concretizado, pois as instituições não oferecem uma formação para os alunos dominarem essas ferramentas tecnológicas. Desse modo, enquanto o ambiente escolar não preparar devidamente os seus discentes o entrave do analfabetismo na seara da tecnologia perdurará sobre o país.

Portanto, é mister que o estado tome providências para atenuar o quadro atual. Para a conscientização da população a respeito do problema, urge que o Ministério da Educação, por meio do amplo debate entre o comissório, famílias e professores, introduzir novos métodos eficazes e, consequentemente, promover a alfabetização da sociedade no tangente à tecnologia do país a fim de proporcionar condições igualitárias de acesso aos meios tecnológicos. Para tanto, o governo deve investir em regiões menos favorecidas economicamente. Somente assim, será possível combater a essa passividade que se alastra na sociedade brasileira atual, e, ademais, não corroborar para que tais práticas sejam enfrentadas da mesma forma que foram em “Black Mirror”.