A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 11/05/2021

A Constituição de 1988 – norma de maior hierarquia do sistema jurídico brasileiro – garante o direito à liberdade, igualdade e educação, dentre outros benefícios para assegurar a qualidade de vida. Infelizmente, quando se observa a questão do analfabetismo, no Brasil, verifica-se que o ideal da legislação é constatado na teoria e não desejavelmente na prática, e a problemática persiste intrinsecamente ligada à realidade do país, seja pela falta de informação, seja pela necessidade de políticas eficientes.

Nessa conjuntura, destaca-se a escassez de acesso ao aprendizado como impulsionador do problema. De acordo com o determinismo social de Durkheim, os indivíduos são moldados pelo ambiente que estão inseridos. Assim, analisando no contexto tecnológico, afirma-se que a carência de educação digital possibilita a passividade dos indivíduos nos meios digitais, já que os usuários analfabetos ao se depararem com notícias falsas aceitam as informações de forma vegetativa, sem a procura pela veracidade por não terem conhecimento digital. Dessa maneira, o pensamento crítico desses indivíduos é facilmente manipulado pelo âmbito cibernético.

É indubitável que a questão constitucional e a sua aplicação estejam entre as causas do problema. Segundo o relatório “The Inclusive Internet Index” apresentado por uma revista britânica, em 2019, o Brasil estava em 66º lugar de 100 países que oferecem alfabetização digital. De maneira análoga, é possível perceber que a falta de eficiência política e investimentos na educação corroboram com o impasse, haja visto que o ensino nas escolas não acompanha o avanço tecnológico. Dessa forma, o espaço tecnocientífico se moderniza diariamente e o país continua com baixos investimentos em educação digital.

Portanto, é mister que o Estado tome medidas para amenizar a mazela social. Paralelamente, o Ministério da Educação, em parceria com Poder Legislativo, deve propor a criação de um “Ministério da Tecnologia”, por meio de uma carta entregue à Câmara dos Deputados. Tal medida oferecerá um órgão responsável por atuar no preparo digital do território brasileiro de forma homogênea, fornecendo cursos de formação básica, com duração de três meses, acerca do “mundo computacional”. Espera-se, com essa ação, romper a bolha do analfabetismo digital e assegurar os direitos propostos pela Carta Magna de 1988.