A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 27/09/2021
Manoel de Barros, grande poeta pós-modernista, desenvolveu em suas obras uma “teologia do traste”, cuja principal característica reside em dar valor às situações frequentemente esquecidas ou ignoradas. Seguindo a lógica barrosiana, é preciso se atentar à questão do analfabetismo digital no Brasil, tema de extrema relevância, porém pouco discutido. Nesse sentido, a problemática é causa direta da falta de responsabilidade digital observada na população e da segregação social dos analfabetos digitais.
Primordialmente, é válido salientar que a falta de habilidades gestoras tecnológicas carrega consigo grandes riscos sociais. Para entender tal apontamento,é necessário citar que, com o avanço tecnológico em escala global, a rede se tornou um importante mecanismo de armazenamento de dados, veiculação de notícias e digitalização de ações cotidianas , como compras e vendas. Assim, os indivíduos que não possuem instruções adequadas sobre como administrar essas informações estão mais suscetíveis a sofrer com golpes de “hackers” e com as famosas “fake news”, podendo ajudar na propagação das mesmas, uma vez que não sabem como verificar a veracidade dos fatos compartilhados e nem como proteger seus dados pessoais. Desse modo, a falta de responsabilidade digital está ligada à desinformação do grupo.
Além disso, os analfabetos digitais não são completamente inseridos na contemporaneidade. Isso porque, como afirmou o famoso empresário Steve Jobs, “A tecnologia move o mundo”, ou seja,as inovações tecnológicas estão completamente difundidas no cotidiano da população, seja para fins de lazer ,educação ou trabalho, o que gera uma necessidade de estar adaptado à essa realidade. Sendo assim, os indivíduos que não tem conhecimento para usufruir de todos esses benefícios que movem o mundo estão, na realidade, a margem da sociedade.
Portanto , torna-se emperativa a criação de medidas que ajam sobre a problemática. Nessa lógica, cabe ao governo federal - órgão responsável pela administração nacional- a diminuição das taxas de analfabetismo digital no Brasil, por meio de programas educativos gratuitos, para todas as faixas etárias, que ensinem e informem sobre os cuidados necessários ao navegar na rede e sobre como utilizá-la corretamente, a fim de disseminar a responsabilidade digital e incluir plenamente esse grupo na atualidade. Dessa maneira, a “teologia do traste” será colocada em prática.