A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 03/06/2021

O “Mito da caverna”, de Platão, descreve a situação de pessoas que se recusavam a observar a verdade em virtude do medo de sair de sua zona de conforto. Em alusão à citação, percebe-se que a realidade brasileira caracteriza-se com a mesma problemática no que diz respeito ao analfabetismo digital, visto que o Brasil ficou em 66ª posição no que diz respeito à alfabetização tecnológica, conforme pesquisa divuldada em 2019 pela revista britânica “The Economist”. Nesse sentido, é preciso que estratégias sejam aplicadas para alterar essa situação que possui como causas: a insuficiência de leis e a falta de formação no âmbito educacional.

Primeiramente, é preciso salientar que a insuficiência legislativa é uma causa latente do problema. Nesse âmbito, a Constituição Federal de 1988 é a lei básica brasileira que busca garantir a integridade dos seres vivos e do ambiente em que estão inseridos. No entanto, essa legislação não tem sido suficiente no que se refere à garantia do direito social de assistência aos desamparados. Segundo dados divulgados em 2019 pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, 33% da população brasileira não tem acesso à internet. Dessa forma, parte do povo brasileiro, devido a sua condição social, é impedido de ter acesso à tecnologia, fato que, consequentemente, agrava a questão do analfabetismo digital e a questão do acesso aos direitos por meio da internet. Assim, com a lei sendo enfraquecida, dificulta-se a resolução desse impasse.

Em segundo plano, outra causa para a configuração do problema é a falta de formação no âmbito educacional. Nesse contexto, o filósofo Schopenhauer defende que os limites do campo de visão de uma pessoa determinam seu entendimento a respeito do mundo. Diante dessa perspectiva, se as pessoas não têm acesso às informações necessárias sobre como dominar as ferramentas tecnológicas, sua visão será limitada. Desse modo, para que analfabetismo digital seja combatido, é necessário que as escolas essinem os alunos a compreender e manejar as ferramentas disponíveis nos computadores e na internet de forma adequada e responsável.

Logo, medidas estratégicas são necessárias para alterar esse cenário. Torna-se imperativo, portanto, modificar a visão da população a respeito das leis. Isso pode ocorrer por meio de uma ação conjunta do poder Judiciário com o Ministério da Educação, promovendo palestras e debates em escolas acerca do processo de elaboração e fiscalização das leis no Brasil. Ademais, esses acontecimentos não devem se limitar aos alunos, mas serem abertos à comunidade, a fim de que mais pessoas compreendam o propósito das leis e se tornem mais atuantes na busca de resoluções de problemas como a exclusão digital por falta de assistência financeira do governo e a falta de educação digital nas escolas.