A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 10/06/2021
Com o advento da Revolução Técnico-científico-informacional, iniciada na segunda metade do século XX, os aparelhos digitais se popularizaram e tornaram-se fundamentais para atividades cotidianas. Porém, os indivíduos que não apresentam conhecimentos básicos no uso de tais tecnologias têm sua qualidade de vida diminuída. Nesse sentido, os analfabetos digitais, na sociedade brasileira, são indevidamente injustiçados, em virtude da negligência governamental e da desigualdade social.
Em primeira análise, a indiligência da governança atua como motor da problemática. Consoante Aristóteles no livro “Ética a Nicômaco”, a política serve para garantir a felicidade dos cidadãos, logo verifica-se que esse conceito encontra-se corrompido no Brasil, considerando a existência dos indivíduos que não manifestam entendimento indispensável no meio eletrônico. Por conseguinte, tais sujeitos falham na realização de atividades básicas no quotidiano hodierno, fazendo os direitos permanecerem no papel.
Ademais, a desproporção socioeconômica influencia negativamente o acesso da sociedade aos recursos tecnológicos. Nessa perspectiva, de acordo com o Coeficiente de Gini, medida que classifica o grau de desigualdade dos países, o Brasil está entre as 10 nações mais desiguais do mundo. Sendo assim, essa atroz disparidade faz com que parcela da população não tenha familiaridade com o ciberespaço, o que resulta em uma impossibilidade de se adaptar ao uso de tal ferramenta. Dessa forma, parte do povo brasileiro, devido a sua condição social, é impedido de ter acesso a tecnologia, fato que, consequentemente, agrava esse impasse.
Evidencia-se, portanto, que a aplicação de medidas é necessária no combate do quadro de analfabetismo digital brasileiro. Para isso, cabe ao Ministério da Educação, órgão responsável pela elaboração e execução das políticas educacionais, produzir cursos direcionados aos indivíduos despreparados para o meio digitalizado, por meio de verbas governamentais, a fim de educa-los e inseri-los no uso de tecnologias. Com essas realizações, a qualidade de vida dos analfabetos digitais poderá aumentar.