A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 10/06/2021
Conforme Guy Debord - filósofo francês -, a tecnologia desenvolveu a capacidade de criar uma realidade virtual que vai se sobrepondo à própria realidade concreta vivida pelos indivíduos. Nesse sentido, infere-se que é de extrema importância que a sociedade usufrua de um certo letramento tecnológico com o objetivo de se integrar nessa nova realidade; no entanto, no Brasil, o alto índice de analfabetos digitais turge essa realidade. Logo, é essencial analisar, respectivamente, as causas e consequências desse problema social: a estagnação escolar e a alienação.
De início, convém enfatizar que a escassez de medidas escolares é a principal origem dos casos de analfabetismo digital no Brasil. Sob esse viés, segundo Vera Candau - renomada escritora -, o sistema educacional atual está preso nos moldes do século XIX e não oferece propostas significativas para as inquietudes hodiernas. Nesse prisma analítico, é nítido que a estagnação das instituições de ensino favorece o analfabetismo no meio virtual, uma vez que, de forma irônica, o aprendizado sobre tecnologia não tem nenhuma relevância escolar, pelo menos no século passado. Nesse sentido, verifica-se que, infelizmente, mesmo após avanços constitucionais - como a criação dos direitos sociais assegurados pela Constituição Cidadã, por exemplo -, ainda há uma deficiência de ensino, o que faz com que o letramento digital pleno dos brasileiros permaneça apenas no papel.
Ademais, é válido mencionar que a alienação, na sociedade brasileira, é enaltecida com o aumento de pessoas sem conhecimentos tecnológicos básicos. Nesse contexto, de acordo com o documentário “Dilema das Redes”, o analfabetismo digital colabora com a intensificação de problemas sociais, posto que o meio virtual é extremamente dinâmico e veloz. Tendo isso em vista, é evidente que a falta de conhecimento nesse mundo online, ocasiona uma alienação populacional, dado que os indivíduos são bombardeados por milhares de informações, as quais não conseguem distinguir quais são verídicas e quais são falsas. Portanto, indubitavelmente, faltam medidas pelas autoridades competentes para resolver o problema do analfabetismo digital na contemporaneidade.
Depreende, pois, que um dos maiores problemas no Brasil é o elevado número de cidadãos despreparados para enfrentar o mundo virtual. Destarte, urge que o Ministério da Educação -órgão mais capacitado para melhorar o nível da educação em nível nacional -, por meio de modificações curriculares, promova, em todas as escolas públicas, a obrigatoriedade do ensino de Informática, a qual será responsável por nortear os alunos sobre o funcionamento do meio online. Nesse ínterim, o intuito de tal medida é amenizar o número de analfabetos digitais no país. Feito isso, romper-se-á com a alienação, já que a população saberá se “locomover” nessa nova realidade social.