A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 20/06/2021

‘‘A tecnologia move o mundo’’.Tal máxima, do renomado inventor Steve Jobs, afirma que o conhecimento tecnológico tem grande influência no mundo contemporâneo. Sob essa ótica, no contexto brasileiro, tal perspectiva não se faz presente, uma vez que o analfabetismo digital é uma problemática recorrente. Dessa forma, faz-se necessário medidas interventivas para conter a questão, a qual é agravada devido não só a desigualdade socioeconômica, mas também a falta de formação no âmbito educacional.

Em primeiro plano, é importante salientar o impacto da disparidade social no acesso da sociedade aos recursos sociais. De acordo com o índice de Gini, medida que classifica o grau de desigualdade do país, o Brasil está entre as 10 nações mais desiguais do mundo. Nesse sentido, essa cruel disparidade faz com que uma substancial parcela da população não tenha familiaridade com o ciberespaço, o que resulta em uma impossibilidade de se adaptar ao uso dessa ferramenta. Sendo assim, parte do povo brasileiro, devido a sua condição social, é impedida de ter acesso à tecnologia, fato que consequentemente agrava esse entrave.

Outrossim, convém enfatizar que a falta de investimentos do poder público, nas camadas mais marginalizadas, em educação é um dos fatores que validam a persistência da problemática. Segundo Roger Chartier, grande historiador contemporâneo, a escola deve funcionar de modo a ser uma ponte em que o órgão administrativo intervém na formação da sociedade, inclusive no âmbito digital. Entretanto, na realidade brasileira, esse ideal não é concretizado, pois as instituições de ensino não ofertam uma formação para os alunos dominarem essas ferramentas tecnológicas. Dessa maneira, enquanto o ambiente escolar não preparar devidamente os seus discentes, o entrave do analfabetismo na seara da tecnologia perdurará sobre o país.

Evidencia-se, portanto, a necessidade de ações interventivas para minimizar o analfabetismo digital em todo território brasileiro. Para tanto, o Ministério da Educação, juntamente com o Governo, deve ampliar com urgência o acesso às novas tecnologias nas escolas em regiões menos favorecidas economicamente, para proporcionar condições igualitárias de acesso aos meios tecnológicos. Além disso, compete ao Ministério da Educação, órgão responsável pelas políticas nacionais educativas, por meio do amplo debate entre Estado, professores e famílias, introduzir novos métodos eficazes, e consequentemente promover a alfabetização da sociedade no tangente à tecnologia do país. Feito isso, o Brasil poderá gradativamente mudar o quadro  exposto pelo índice de Gini.