A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 21/06/2021

No livro “Vidas Secas”, é narrada a história de uma família excluída da sociedade por causa de seu escasso aporte financeiro e,  principalmente,  seu grau de escolarização. No Brasil,  um paralelo pode ser traçado entre a trama abordada e a contemporaneidade,  na qual o meio virtual começa a desenvolver uma relação intrínseca com o âmbito social, de modo a levar a condição de analfabetismo digital e exclusão aqueles que não aprimoram essa vereda.  Logo, observa-se a falta de incentivo do Poder Público e a cultura retrógrada vigente no território como intensificadores dessa mazela.

A princípio, convém destacar o posicionamento adotado pelas autoridades do Estado em relação ao ramo cibernético crescente. De acordo com o sociólogo Emilé Durkheim, a sociedade comporta-se como um “corpo biológico”, cujas partes interagem entre si, umas sendo afetadas pelo subdesenvolvimento de outras. Sobre essa óptica, vê-se  ausência de investimentos nas áreas de pesquisa e desenvolvimento tecnológico a culminar no retrocesso da nação em geral, visto que a parcela menos abastada da população encontra dificuldades em localizar cursos técnicos disponíveis por serem considerados luxo da elite, e não um direito e dever de todos os cidadãos para o encaminhamento devido da comunidade. Assim, nota-se a relevância de atender a todas as classes sociais.

Outrossim, é válido pontuar o papel da cultura brasileira como formentador do entrave discutido . Na perspectiva socrática, um indivíduo sábio constui-se a partir do reconhecimento de sua ignorância. Entretanto, o brasileiro contraria a máxima ao concordar com as primeiras informações a ele fornecido , sem buscar fontes ou aprofundamentos coesos. Com efeito, esse contigente populacional  tende a não buscar conhecimentos sobre a esfera digital, facilitando o número de ataques cibernéticos e corroborando o índice de analfabetos que não mostram representatividade no ambiente virtual. Portanto,  percebe-se um país que mantenha esses aspectos enraizados em sua mentalidade sendo fadado ao ostracismo social e científico.

Verifica-se, por conseguinte, a urgência de transfigurar esse panorama para o equilíbrio pleno da comunidade como um todo. Ciente dessa problemática, cabe ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações democratizar o mundo virtual,  mediante criação de programas de interação tecnológica para adultos e idosos e a incersão na BNC(Base Nacional Curricular) da obrigatoriedade de conhecimentos de TI , a fim de desestruturar o ideário de sujeição a notícias duvidosas e direcionar as próximas gerações sobre o uso correto dos ciberblogs. Dessa forma, a questão do analfabetismo nas redes digitais será reduzido e personagens reclusos mostrados em “Vidas Secas” se restringirão a ficcão.