A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 23/06/2021
É comum encontrar, nas redes sociais, diversos memes relatando as dificuldades de pessoas mais velhas no uso do celular, tanto no sentido funcional como na disseminação de fake news. Apesar do teor bem-humorado das sátiras, observa-se refletida nelas a grave problemática do analfabetismo digital no Brasil, que prevalece em vista do desconhecimento da população sobre como navegar com segurança e eficiência, bem como acerca da correta filtragem das informações disponíveis online. Para que o impasse seja sanado, faz-se imprescindível a conscientização e educação do brasileiro no uso otimizado, crítico e responsável da Web.
Em primeiro plano, deve-se ressaltar a ineficiência do internauta tupiniquim na utilização dos diversos recursos do mundo online. Em contraste a dados do Comitê Gestor de Internet do Brasil mostrarem que mais de 78% da população está conectada, observa-se um quadro de extrema inabilidade do brasileiro no que tange ao uso das ferramentas da Internet, principalmente entre a população de mais idade. Ao depender constantemente de terceiros para ajustar o hardware, as contas, as senhas, entre outros, o internauta revela incompetência no uso da Internet como ferramenta de autonomia, a despeito das incontáveis horas diárias que passa em frente às telas.
Em segundo plano, é pertinente destacar como a pouca seletividade do brasileiro acerca das informações que recebe e compartilha na Internet representa inconveniência e perigo para a sociedade. O brasileiro médio gasta aproximadamente 9 horas e meia diárias na Internet, realidade que se torna problemática e perigosa na medida em que o internauta tende a inadvertidamente compartilhar fake news, golpes e malwares em suas redes, sem nenhuma preocupação e senso crítico em relação ao material. A irresponsabilidade e ignorância do indivíduo no uso de suas redes e plataformas online acarreta, dessa forma, em danos morais, psicológicos e financeiros para a comunidade.
Finalmente, observa-se que, no sentido de mitigar o problema, o melhor caminho a seguir jaz na educação digital da população brasileira. Os Ministérios da Educação e das Comunicações devem se unir, através de workshops, palestras e propaganda, na conscientização acerca do uso responsável e seguro da Internet, visando em especial a população mais idosa ou de menor escolaridade, que é mais vulnerável a ataques e manipulações de pessoas mal-intencionadas. Assim, o brasileiro não mais seria um vetor de desinformação, risco e analfabetismo digital, mas faria da Internet o que ela deveria ser: uma ferramenta de autoafirmação, integração e liberdade.