A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 23/06/2021

Embora o Brasil seja um país aberto às possibilidades que a tecnologia moderna tem oferecido, os índices de analfabetismo digital em território nacional explicitam seu preocupante cenário dicotômico, que se configura entre aquilo que de mais moderno se tem e aqueles que não sabem disso usufruir. O fato é que são alarmantes os dados a respeito do número de brasileiros que, em diversas idades, não fazem o uso devido da tecnologia de que dispõem por mero desconhecimento ou despreparo, haja vista que é o meio digital um dos grandes responsáveis pelo dinamismo da atual globalização e pela maior garantia da plena cidadania.

Primeiramente, consoante Steve Jobs – magnata americano, entusiasta da informática -, a tecnologia move o mundo. Esse aforismo explica com exatidão o cenário mundial hodierno de globalização, a qual é tão velozmente movida devido às modernas tecnologias do mundo. Entretanto, de nada serve uma tecnologia cujos usuários não detenham conhecimentos mínimos a seu respeito para seu uso, haja vista que, dessa forma, tem a sua causa de existência esvaziada. Destarte, é sob esse prisma que surge a preocupação com os dados de analfabetismo digital no Brasil atual, uma vez que são eles que revelam como essa população, constituída essencialmente por jovens e idosos desinformados, embora na presença de tecnologia, ainda permanece sem saber como dela usufruir.

Outrossim, é a tecnologia que possibilita a ampliação da cidadania a seus usuários. O viés sob o qual se olha a tecnologia é demasiadamente pejorativo, haja vista que por ampla parte da sociedade é vista como meio de entretenimento exclusivamente. Essa forma de percepção traduz com eficácia o que seria uma sociedade digitalmente analfabeta, uma vez que as mais modernas formas de tecnologia ampliam a cidadania de seus usuários ao oferecerem eficiente acesso à informação. Ademais, à medida que o Brasil se torna um país mais digitalizado nas atividades inclusive mais cotidianas, mostra-se alarmante o número de brasileiros que, em meio a um contexto como o atual, ainda demonstram dificuldades na execução das mais básicas funções quando remetentes a assuntos tecnológicos.

Em síntese e com base no supracitado, nota-se que é imprescindível que esforços sejam direcionados ao quadro de reversão das atuais taxas de analfabetismo digital observáveis no Brasil. Para esse fim, faz-se mister que o Ministério da Cultura, por meio de programas instrucionais voltados não somente às escolas, mas também à população senil, volte investimentos para reverter o quadro social hodierno de desinformação atrelada ao mau uso da tecnologia. Ademais, é fundamental que o Ministério da Cidadania despenda recursos nesses mesmos meios, uma vez que a tecnologia afeta diretamente a sua esfera de atuação enquanto órgão federal.