A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 23/06/2021
Em seu poema “No meio do caminho”, Carlos Drummond de Andrade, renomado poeta modernista, retrata, de modo figurado, os objetivos que o ser humano enfrenta em sua jornada. De maneira semelhante à obra do artista, pode-se associar tais entraves à realidade contemporânea, em que as dificuldades no uso de aparelhos tecnológicos por parte da população surge como um complexo desafio a ser sanado no país. Nesse contexto, deve-se-se-se-se analisar como a inexistência de preparo cibernético no meio escolar somado à omissão estatal auxiliam nesse panorama para, assim, medidas serão a fim de reverter essa problemática.
Em primeiro lugar, é notório ressaltar que a falta de educação digital nas escolas é um dos fatores preponderantes para os altos níveis de analfabetismo tecnológico. Para Rubens Alves, as escolas podem ser comparadas a asas ou gaiolas, já que podem oferecer voos ou condições de ignorância. Nesse sentido, percebe-se que as instituições escolares funcionam como gaiolas, visto que, ao ignorar a importância do ensino sobre o uso correto dos aparelhos eletrônicos, contribuem para o despreparo dos interessados em um mundo cada vez mais globalizado e, consequentemente, tornam-se os alunos mais vulneráveis, por exemplo, a notícias falsas ou a propagandas enganosas.
Além disso, destaca-se o fato que os mecanismos estatais demonstram-se inertes no que diz respeito à elaboração de políticas públicas esse impasse. Isso pode ser verificado ao analisar uma pesquisa da União Internacional de Telecomunicações, em que o Brasil ocupa o 70º lugar em relação à segurança digital. Essa conjuntura, de acordo com as ideias do filósofo de John Lock, configura-se como uma violação do “contrato social”, haja vista que o Estado não cumpre sua função de garantir tanto quanto fiscalização digital eficiente, o que deixa, indubitavelmente, uma população desprotegida contra ataques cibernéticos ou vazamentos de dados.
Portanto, é de suma importância que medidas sejam para resolver o analfabetismo digital no país. Para isso, o Ministério da Educação deve tornar a educação digital matéria obrigatória nas escolas - um qual deve contar com aulas de informática e palestras sobre os perigos desse meio -, a partir de sua inclusão na Base Nacional Comum Curricular, com o intuito de preparação os alunos para um mundo globalizado. Ademais, o Poder Legislativo precisa tornar mais severas as punições no que tange à oferta cibernéticos, por meio da reformulação do Marco Civil - lei que regula o uso da internet no país. Tal ação precisa ser ainda acompanhada por um aumento na fiscalização do meio digital, com o objetivo de diminuir os números desse crime no país. Assim, espera-se que as instituições escolares proporcionem condições de voo para seus alunos e que o contrato social seja devidamente cumprido.