A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 20/06/2021

Desde o iluminismo entende-se que uma sociedade apenas progride quando um se mobiliza com o problema do outro. Porém, ao observar a questão do analfabetismo digital no Brasil, constata-se que os ideais iluministas permanecem em plano teórico, levando em conta a ineficácia do Estado em relação ao problema, e o difícil acesso ao mundo digital por grande parte da população mais pobre. Dado este panorama, cabe analisar os fatores que corroboram para a problemática. Primordialmente, vale destacar a deficiência do ensino público em relação ao contato dos alunos com plataformas digitais. Segundo os ideais de Aristóteles, a política deve ser utilizada de modo que, por meio da justiça, o equilíbrio seja alcançado na sociedade. Entretanto, de maneira análoga aos pensamentos do filósofo grego, pode-se notar a falta de atenção do governo em relação ao problema especialmente quando se observa como o ensino público é deficitário ao tentar aproximar os alunos das tecnologias presentes em nosso cotidiano, devido à falta de infraestrutura e investimentos do Estado, rompendo assim, a harmonia proposta por Aristóteles. Logo, conclui-se que o governo é um dos culpados por esse obstáculo presente em nossa sociedade. Ademais, afirma-se também que o difícil acesso da população de baixa renda à tecnologia também impulsiona o analfabetismo digital. Segundo Jean-Jacques Rousseau, a máquina pública é responsável por garantir a igualdade de todos presentes na sociedade. Porém ao observar o escasso acesso das pessoas à internet e a aparelhos digitais, constata-se que os ideais de Rousseau não se afirmam na prática, pois devido ao grande montante de impostos presentes em celulares, computadores e outros aparelhos, a população mais pobre acaba por se afastar da inclusão digital devido ao baixo salário mínimo e as condições em que vivem, o que impede uma fácil obtenção de tais regalias. Dada essa perspectiva, é inadmissível que esse problema continue a perdurar. Portanto, medidas precisam ser tomadas para a resolução deste empecilho. Visto isso, é mister que o Tribunal de Contas da União redirecione mais verbas para o investimento na inclusão digital para a população mais pobre, por meio da obtenção de mais computadores nas escolas municipais e estaduais -preferencialmente em instituições de ensino que possuem mais alunos de baixa renda-, a fim de que a população mais carente seja inserida no meio digital. Somente assim, se consolidará uma sociedade mais justa e igualitária que esteja de acordo com os ideais iluministas.