A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 23/06/2021
Segundo Pierre Lévy, a internet e os grandes meios de comunicação apresentam o potencial de atuarem como uma ágora, lugar destinado para a realização de debates e construção da sociedade de Atenas, capazes de promover mudanças e uma maior igualdade social. Porém, na atualidade, o analfabetismo digital impede o pleno usufruto dos benefícios das tecnologias. Nesse contexto, evidencia-se o fato da era digital ser muito recente e a falta de conhecimento da população sobre esses recursos.
Vale ressaltar, de início, a Revolução Técnico-Científico-Informacional como um evento do séc. XX. Conforme Noam Chomsky, a mídia pode causar mais danos que a bomba atômica e deixar cicatrizes no cérebro. Desse modo, o medo gerado pela atual ascenção das tecnologias de comunicação, aliado à insegurança em relação aos danos que esses recursos podem causar, gera uma inserção deficiente dos indivíduos nessa nova realidade. Com efeito, esse comportamento implica na qualificação ineficiente dos indivíduos na era da informação, aumentando assim, as desigualdades.
Somado a isso, destaca-se a falta de medidas educativas direcionadas a parcela da população com acesso à internet. Sob a perspectiva de Nelson Mandela, a educação é a melhor arma para transformar o mundo. Dessa maneira, a falta de instrução ofertada aos indivíduos para saberem se portar nos meios virtuais colabora para a menoridade intelectual na concepção de Kant, gerando pessoas alienadas e sem senso crítico, o que dá espaço para a disseminação de “fake news”, por exemplo. Nesse contexto, tornando o Brasil suscetível à ataques de hackers segundo a Tilt.
Evidencia-se, portanto, a necessidade de ampliar o alfabetismo digital no território brasileiro. Tendo em vista que, cabe ao Ministério da Educação, MEC, em conjunto com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, responsáveis pela educação e o desenvolvimento técnico nacional, respectivamente, invistam na educação tecnológica, por meio da oferta de cursos gratuitos, implementação de matérias ligadas ao assunto na grade curricular escolar, além de promover a inserção eficaz nos ambientes virtuais, pela disponibilização desses aparelhos, principalmente nas escolas, universidades e cursos técnicos, a fim de reverter o analfabetismo virtual. Assim, as telecomunicações estarão mais perto de cumprir sua função social descrita por Pierre Lévy.