A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 22/06/2021

A Terceira Revolução Industrial, também conhecida como Revolução Tecnológica, revolucionou os meios de produção e consolidou a formação de uma sociedade dependente das novas tecnologias. No entanto, esse processo de dependência alcança as diversas camadas da sociedade de maneira distinta, pois a existência do analfabetismo digital colabora para que muitos sejam excluídos desse desenvolvimento. Nesse contexto, torna-se evidente que a falta de letramento digital e o mau uso das novas tecnologias contribuem para o aprofundamento das desigualdades sociais.

Dessa forma, em primeira análise, a ausência de um ensino sistemático e universal sobre as novas tecnologias contribui para que muitas pessoas não desenvolvam habilidades e não disfrutem das potencialidades do meio digital. Segundo o filósofo contemporâneo, Pierre Lévy: “Toda nova tecnologia cria seus excluídos”. Assim sendo, a sociedade apesar de imersa e dependente do mundo digital, esse universo ainda constitui-se como superficial  e distante para muitos, seja pela falta de acesso ou pelo uso das ferramentas digitais sem nenhum direcionamento.

Além disso, é importante destacar que os benefícios advindos das tecnologias estão associados ao seu uso de maneira produtiva. Logo, assim como exposto no documentário norte-americano “O dilema das redes”, é necessário que a sociedade saiba interagir com a tecnologia, principalmente as mídias sociais, de maneira consciente e responsável. Ou seja, o analfabetismo digital contempla tanto aqueles que estão excluídos do contexto online, como aqueles que não sabem utilizar dessas ferramentas para o seu próprio benefício. Dessa maneira, a sociedade se divide entre os que vivem colhendo diretamente os frutos de uma revolução tecnológica e os que estão apenas na superfície do desenvolvimento.

Portanto, para contornar os impactos da falta de letramento digital, é viável que o Ministério da Educação (MEC), integre na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), o ensino de informática e uso de ferramentas digitais, o que pode ser ofertado aos alunos de nível fundamental e médio, por meio do aproveitamento de espaços já existentes nas redes públicas e privadas de ensino, como é o caso das salas de informática. Ademais, as escolas podem oferecer aos alunos e a comunidade no geral oficinas e discussões sobre o aproveitamento das mídias digitais para estudo, trabalho e lazer. Desse modo, será possível construir uma sociedade mais igualitária, em que as novas tecnologias apresentem oportunidades de progresso a todos.