A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 27/06/2021

Segundo Steve Jobs(idealizador da Apple), “a tecnologia tem grande influência no mundo contemporâneo”. Adentrando-se o viés tecnológico, verifica-se, no Brasil atual, o surgimento de impasses como o analfabetismo digital. Nesse sentido, cabe observar como a desigualdade social persistente no país, associada a má formação tecnológica ofertada nas escolas, contribuem para a manutenção dos indíces de analfabestimo digital da nação canarinha.

Pontua-se, em uma análise inicial, os altos índices de desigualdade, desde de sua construção escravocrata-ao longo do Período Colonial- até os dias atuais, do país como fator determinante para a manutenção do analfabetismo digital no Brasil. Isso porque as camadas mais pobres da população não gozam de pleno acesso as tecnologias e a internet. Sob essa ótica, constata-se ,como consequência, a quebra do ideal de igualdade da ONU(Organização das Nações Unidas), o qual certifica o acesso a internet e as tecnologias como um direito humano no século XXI. Dessa maneira, comprova-se, de acordo a ONU, que o Brasil está entre os 10 países mais desiguais do mundo( segundo o índice Gini-medidor da concetração de renda) e, assim, sem aptidão com as tecnologias utilizadas no dia a dia.

Observa-se, em consoante a isso, a forte relação da má formação tecnológica escolar como percussor para a ascensão do analfabetismo digital, uma vez que, conforme o pensamento do historiador Roger Chatier, “a escola deve funcionar como uma ponte entre a ação do Estado e a sociedade, inclusive no âmbito tecnológico”. Sob essa perspectiva, cabe evidenciar que os alunos do ensino médio e fundamental das escolas brasileiras não possuem nenhuma grade escolar voltada a capacitação tecnológica desse indivíduo. Dessa forma, verifica-se a concretização do analfabetismo digital do Brasil e o rompimento dos brasileiros com o conceito de “sociedade hiperconectada”, pensamento, ilustrado pelo filósofo Pierre Levy, que evidencia que a exclusão digital se traduz em uma exclusão social econômica dos nativos( já existente.

Urge, portanto, que, para a redução do analfabetismo digital no Brasil, o Governo Federal, com o auxílio do Ministério da Educação,deve, por intermédio da reformulação da Grade Comum Curricular Nacional(mediante o auxílio das escolas e dos docentes do Estado e das escolas particulares), determinar a criação de uma grade escolar ( para alunos do ensino fundamental e médio de todas as escolas do país) que objetive a interação dos brasileiros com as tecnologias  digitais desde cedo, a fim de que o país reduza, gradativamente, os seus indíces de analfabetismo digital e torne-se parte, quanto antes, da " sociedade interconectada" e menos desigual de Pierre Levy, mediante o aumento do índice Gini.