A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 04/07/2021

Uma pessoa que há mais de três décadas desenvolve, com maestria, sua função de conduzir procedimentos administrativos físicos em uma repartição pública resolve se aposentar depois de saber do surgimento de um tipo de  processo eletrônico que será implantado no setor onde trabalha, por não saber operar um equipamento informatizado. Essa poderia ser mais uma trama de um filme ou de uma telenovela, mas, é um fato que faz parte da realidade de muitos brasileiros, seja por questões culturais ou estruturais.

Inicialmente, cumpre destacar que grande parte da populção brasileira ainda não tem acesso à rede mundial de computadores, muitas vezes por não se sentir à vontade em utilizar meios eletrônicos de um modo geral. Nesse sentido, o portal R7 afirma que mais de 30% dos brasileiros com mais de 50 anos de idade não se considera capaz de usar um recurso informatizado. Dessa forma, a universalização do acesso à informação digital no país fica comprometida, considerando que existe um fator psicológico impedindo as pessoas de proseguirem no aprendizado: a baixa autoestima.

Além disso, faltam escolas especializadas no ensino de mídias digitais voltadas para o público adulto no país. Nesse ínterim, o Instituto Brasileiro de Gerografia e Estatística-IBGE apurou que o número de vagas em cursos técnicos de computação destinados a pessoas com mais de 30 anos não chega a 10% do total. Assim sendo, é fácil concluir que a inércia estatal faz surgir um obstáculo ao desenvolvimento tecnológico, pois boa parte da chamada “População Economicamente Ativa”, ou seja, aquelas pessoas que trabalham e podem produzir as riquezas do lugar não possuem as devidas habilidatações técnicas.

Portanto, medidas precisam ser tomadas para mudar a realidade em questão. Para tanto, o Ministério da Ciência e Tecnologia deve realizar campanhas, por meio da imprensa televisiva, objetivando incentivar as pessoas adultas a acreditarem em seu potencial e se qualificarem em matéria digital. Paralelamente, o citado órgão precisa criar novas escolas técnicas, por meio da destinação de verbas às prefeituras para esta finalidade, visando aumentar o número de vagas destinadas a pessoas com mais de 30 anos. Com essas ações, será possível diminuir o analfabetismo digital no Brasil, culminando com um maior aproveitamento do potecial em tecnologia que o país apresenta.