A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 06/07/2021
A Constituição Federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê em seu artigo 6º o direito à educação como inerente a todo cidadão brasileiro. Entretanto, tal prerrogativa não tem se reverberado com ênfase na prática quando se observa a falta de assistência digital aos analfabetos tecnológicos, dificultando, deste modo, a universalização desse direito social tão importante. Diante dessa perspectiva, faz-se imperiosa a análise dos fatores que favorecem esse quadro.
Em uma primeira análise, deve-se ressaltar a ausência de medidas governamentais para combater o analfabetismo digital no Brasil. Nesse sentido, é evidente que os analfabetos digitais ficarão excluídos da sociedade moderna, por não saberem como lidar com os novos recursos tecnológicos, que estão cada vez mais presentes na rotina das pessoas. Essa conjuntura, segundo as ideias do filósofo contratualista John Locke, configura-se como uma violação do “contrato social”, já que o Estado não cumpre sua função de garantir que os cidadãos desfrutem de direitos indispensáveis, como a educação digital, o que infelizmente é evidente no país.
Ademais, é fundamental apontar que a falta de educação digital contribui para a vulnerabilidade dessas pessoas, que acabam sendo mais propícias à ataques virtuais, esse fator se estabelece como impulsionador do analfabetismo digital no Brasil. De acordo com a revista britânica, o relatório anual “the inclusive internet index 2019” - avalia o preparo, facilidade de acesso e disponibilidade da internet em cada país no nível global - O Brasil segundo o ranking aparece acima de 79 países no requisito fator econômico . Diante de tal exposto, é evidente que o país possui as condições necessárias para melhorar a questão do analfabetismo digital no país. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.
Depreende-se, portanto, a necessidade de se identificar os obstacúlos que atrasam o avanço digital do país. Para isso, é imprescindível que o governo, por intermédio da educação, desenvolva programas de educação gratuito, com o objetivo de ajudar a inserir na sociedade os grupos que se encaixam nos requisitos do analfabetismo digital, a fim de contribuir para uma sociedade integrante e justa com todos os cidadãos. Assim, se consolidará a verdadeira cidadania, de modo que o Estado desempenha corretamente seu “contrato social”, tal como afirma John Locke.