A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 08/07/2021
Com o advento da Internet e a difusão de tecnologias, a partir dos aparelhos eletrônicos, a sociedade contemporânea presenciou o surgimento de um novo meio: o mundo digital. Entretanto, a celeridade desse processo de mudança não foi acompanhada da mesma forma entre a população brasileira, nem fomentada pela educação, o que gerou o quadro hodierno de analfabestismo digital, marcado pelo uso não adequado dessas ferramentas ou mesmo a exclusão de alguns dessa realidade social. Nesse sentido, fatores de ordem social e educacional caracterizam a problemática.
É importante pontuar, de início, o papel central que as novas tecnologias passaram a ocupar na sociedade e, por isso, gera ainda mais exclusão daqueles que não possuem preparo ou educação digital. Uma vez que esses instrumentos tecnológicas se expandiram e estão presentes nos mais variados setores da sociedade, o mínimo conhecimento passa a ser demandado para a própria inserção social. Além disso, a Internet pode ser utilizada para melhorar fatores socioeconômicos da população, o que deixa de ocorrer por conta do analfabetismo digital. Dessa forma, analogamente à emblemática frase do historiador José Murilo de Carvalho, e, adaptada para o contexto atual, pode-se dizer que a população assistiu “bestializada” à ascensão e à expansão das tecnologias digitais, ou seja, sem saber direito o que estava acontecendo e, no caso de algumas pessoas, excluídas do processo.
Outrossim, vale ressaltar, como principal causa do problema, a carência de uma educação voltada para a formação de cidadãos capazes de utilizar adequadamente e de forma segura as ferramentas digitais. Nesse sentido, o cenário no Brasil é marcado por uma educação pouco adaptada à realidade dos alunos e ao contexto da sociedade atual de grande presença das tecnologias digitais. Com isso, as pessoas tornam-se mais sucetíveis aos hackers, às fake news e passam a acreditar facilmente no que leem na internet. Todavia, cabe, também, à população como um todo buscar mais engajamento e conhecimento sobre essas ferramentas, tal como defende o filósofo Immanuel Kant com seu lema iluminista: “sapere aude”, ou seja, “ouse saber”.
É notória, portanto, a relevância de fatores de ordem social e educacional na temática supracitada. Nesse viés, cabe ao Governo Federal, por meio do Ministéio da Educação, em consonância com a escola, o papel de fomentar o ensino acerca das tecnologias a fim de proporcionar maior preparo e conhecimento digital desde cedo para os brasileiros. Essa medida pode ser efetivada por meio da formação de profissionais na área da informática e da inserção na grade escolar de uma matéria sobre o assunto. Poder-se-á, assim, combater o analfabetismo digital e a “bestialização” da população.