A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 13/07/2021
A Terceira Revolução Industrial, ou Revolução Digital, modificou completamente a economia e a sociedade a partir do final do século XX. A introdução ao uso de novas tecnologias no cotidiano, como celulares e computadores, trouxe diversos benefícios à sociedade, contudo, destacou as desigualdades sociais, já que muitas pessoas de baixa escolaridade são analfabetas funcionais e têm dificuldades em utilizar os meios digitais. Assim, o analfabetismo digital é um sério problema pois exclui parcela da sociedade e expõe muitas pessoas à crimes digitais; logo, é imprescindível discorrer a respeito do analfabetismo funcional no Brasil.
Primeiramente, é preciso reconhecer que o analfabetismo digital está intrinsecamente conectado à pobreza educacional no Brasil e ao consequente analfabetismo funcional que, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), abrange 7% da população brasileira. Dessa maneira, o sistema falho de ensino é o principal responsável pelo uso indevido das tecnologias, pois a falta de conhecimento e a dificuldade de interpretação de códigos prejudica a “cidadania digital”, que é a utilização consciente da internet e o direito e dever de saber usar as inovações. Além disso, de acordo com o filósofo John Rawls em seu livro “Teoria da Justiça”, um governo ético disponibiliza recursos financeiros para todos os setores, promovendo igualdades de oportunidades a todos. Sob essa óptica, se infere que o analfabetismo digital é reflexo da incapacidade estatal de prover oportunidades aos cidadãos.
Ademais, o analfabetismo digital provoca graves efeitos sociais. O indivíduo que possui dificuldades de interpretação e de manuseio das tecnologias está mais suscetível a acreditar em “fake news”, isto é, notícias inventadas, o que é prejudicial para o desenvolvimento intelectual e para uma sociedade democrática. Outrossim, os analfabetos digitais podem se tornar vítimas de crimes digitais, como roubo de dinheiro por transações financeiras ou contas de redes sociais clonadas. Logo, a liberdade e a integridade do usuário podem estar em risco se os recursos digitais não forem usados corretamente, sendo necessário auxiliar os analfabetos digitais.
Portanto, devido aos fatos supracitados, medidas devem ser tomadas para reduzir o impasse. Para isso, o Governo Federal, por meio do Ministério da Educação, deve elaborar um projeto de lei educacional, que será entregue à Câmara dos Deputados, no qual os estudantes devem ter aulas extras com profissionais da tecnologia da informação para o desenvolvimento do conhecimento acerca do uso das tecnologias digitais. Isso deve ser feito a fim de desenvolver cidadania digital e assegurar a proteção do usuários na internet. Assim, espera-se reduzir o índice de analfabetismo digital no país.