A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 17/07/2021

O filme “Eu, Daniel Blake” versa sobre a história de um senhor, analfabeto digital, na busca incansável para retirar seu auxílio doença e desemprego após ter sofrido um infarto. Não tão distante da ficção, os desafios associados ao acesso e ao manejo das novas tecnologias é uma realidade na vida de muitos brasileiros, deixando-os, de modo geral, isolados da vida em sociedade. Nesse sentido, cabe avaliar a causa e a consequência dessa problemática.

Primeiramente, deve-se investigar a origem principal dessa temática. No que se refere a esse assunto, é evidente que a exclusão digital é um reflexo da desigualdade social presente no país, uma vez que as causas centrais do isolamento estão relacionadas à falta de acesso às tecnologias, à falta de rede de internet ou à falta de conhecimento técnico necessário, as quais são mais evidentes nas classes menos favorecidas da sociedade. Nesse contexto, de acordo com a pesquisa britânica The Inclusive Internet Index de 2019, o Brasil ocupa a 66ª posição de 100 países no que tange ao tema da alfabetização digital. Dessa maneira, observa-se que disparidades econômicas, sociais, geográficas e culturais são os principais fatores responsáveis pela consolidação do analfabetismo digital no país.

Ademais, é importante verificar a sequela gerada por tal fator. Sobre isso, o termo “aldeia global”, cunhado por McLuhan, refere-se a um mundo no qual todos estão interligados graças às tecnologias. Assim, é valido ressaltar que o uso da internet no dia a dia está relacionado às questões sociais, econômicas e culturais, na medida em que pode ser utilizada para interação social, trabalho, educação, compras e pagamentos, bem como, entretenimento. Desse modo, a exclusão digital se traduz em exclusão social, devido à falta de acesso a diversos serviços e, consequentemente, os excluídos do meio digital estão à margem da vida em sociedade.

Portanto, evidencia-se que o analfabetismo digital é um entrave à consolidação da plena cidadania. Dessarte, cabe ao Ministério das Comunicações, garantir o acesso às tecnologias e instruir a população a utilizá-la de maneira correta, através da construção de centros públicos com computadores disponíveis e funcionários auxiliando o uso da rede. Isso deve ser feito a fim de promover a inclusão e a alfabetização digital dos indivíduos excluídos. Somente assim, será possível assegurar a cidadania dos brasileiros e evitar histórias como a de Daniel Blake.