A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 23/07/2021
A máxima do escritor Joseph Krutch diz que a tecnologia torna possível a existência de grandes populações, ao passo que grandes populações tornam a tecnologia indispensável. Todavia, a relação intrínseca entre as tecnologias digitais e a sociedade contemporânea brasileira é fragilizada devido, principalmente, à dificuldade de acesso e disponibilidade dessas tecnologias para a população, e ao uso incorreto das mesmas.
Convém ressaltar, a princípio, sobre uma coleta de dados realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2018, em relação ao acesso dos domicílios brasileiros à tecnologias de informação e comunicação, que evidencia que, apesar desses percentuais aumentarem a cada ano, os grupos de idade mais elevadas detêm porcentagens ainda baixas. Nesse contexto, para que a analfabetização digital se resolva, deve-se primeiro proporcionar disponibilidade e acessibilidade a esse recorte da população.
Em segundo plano, vale destacar uma outra pesquisa, dessa vez da revista “The Economist”, que relata que o Brasil está entre os 4 países que mais confiam em informações compartilhadas nas plataformas sociais. Haja vista que a disseminação de notícias falsas acontece, em sua maioria, por conta do analfabetismo funcional, torna-se crucial o combate a essa irresponsabilidade, conscientizando as pessoas sobre a importância da confirmação da veracidade dos fatos noticiados no meio digital.
É evidente, portanto, a necessidade de uma política pública para a resolução dessa problemática. Para que isso ocorra, o governo federal, em parceria com as secretarias de educação e com o Ministério da Educação, criaria um programa de educação tecnológica que seria implementado nas escolas de níveis básicos, além da inserção de uma grade de educação digital para idosos nas Escolas Abertas de cada estado brasileiro nos fins de semana. Essas medidas visam um uso consciente das tecnologias, além de garantir maior inclusão social diante a esse cenário desigual no Brasil.