A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 28/07/2021
No início do século XXI, as novas tecnologias, isto é, os computadores, tablets e smartphones, começaram a dominar o mundo. Nesse contexto, a internet facilitou o acesso a informações, a comunicação, a globalização. Contudo, devido ao descaso estatal, o Brasil tem o analfabetismo digital como um empecilho para seu desenvolvimento econômico na era tecnológica. Desse modo, é necessário buscar medidas para combater essa problemática.
Convém ressaltar, a princípio, a falta de apoio governamental para a inserção dos mais pobres no mundo digital. Isso porque, enquanto as novas tecnologias têm um custo elevado, cerca de 105 milhões de brasileiros vivem com menos de 413 reais por mês, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Assim, pelo menos metade da população não tem condições financeiras de obter computadores e smartphones. Entretanto, ainda de acordo com o IBGE, cerca de 49% dos brasileiros possuem acesso à internet, o que comprova a desigualdade social vivida no país. Nesse contexto, o Estado se apresenta como transgressor da Constituição Federal, a qual afirma ser dever deste garantir a igualdade de oportunidades econômicas. Por conseguinte, os mais pobres se tornam reféns do analfabetismo digital, visto que, por não terem contato com as tecnologias, não apredem a utilizá-las.
Outrossim, vale salientar os impactos econômicos do analfabetismo digital no Brasil. Dentre eles, destaca-se a elitização dos empregos e o agravamento das disparidades sociais no país. Consonante ao pensamento do empresário Steve Jobs, a tecnologia domina o mundo atual, logo, as indústrias e empresas tendem a se modernizarem cada dia mais, com robôs, computadores e inteligência artificial. Nesse contexto, ter conhecimento do mundo digital torna-se um pré-requisito exigido dos trabalhadores pelas empresas. Sob essa perspectiva, os indivíduos que não possuem acesso às tecnologias, os brasileiros mais pobres, são excluídos do mercado de trabalho. Assim, a ignorância acerca do universo virtual contribui com o aumento do desemprego entre os mais pobres, mas não entre os mais ricos. Dessarte, é mister que o Estado tome providências para amenizar o analfabetismo digital no Brasil. Para facilitar a inclusão dos mais pobres na era virtual, urge que o Ministério da Economia, por meio de um programa social, crie um “bolsa tecnologia”. Em síntese, o governo deve oferecer uma quantia mensal para auxiliar os beneficiários com os custos dos aparelhos tecnológicos, como computadores e smartphones. Além disso, cabe ao Ministério da Educação promover aulas de informática nas escolas públicas, a fim de preparar os alunos para o mercado de trabalho. Feito isso, toda a população brasileira poderá sentir os efeitos positivos do advento dessas inovações.