A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 02/08/2021

Segundo o relatório " The Inclusive Internet Index", o Brasil ocupa o 31° lugar no quesito facilidade de acesso e disponibilidade de internet no mundo. Sob essa ótica, entretanto, percebe-se que o analfabetismo digital ainda contorna a realidade do país, de forma a inviabilizar o acesso às informações e aos conhecimentos tecnológicos por toda a população, contribuindo para um retrocesso da coletividade altamente conectada do século XX|. Nesse sentido, em virtude da banalização estatal e da falta de preparo educacional, emerge um problema complexo.

Em primeiro plano, destaca-se, por parte do governo, a insuficiência de ações efetivas como causa latente da questão. A esse respeito, o filósofo Maquiavel defende que mesmo as leis bem formuladas são impotentes diante da perpetuação de costumes indevidos. Nessa lógica, verifica-se que, em parte, a falta de alfabetização digital ampliada é um reflexo do descaso governamental praticado no cotidiano brasileiro, de maneira a evitar que a população aprenda a usar os mecanismos digitais e tecnológicos presentes na realidade. Diante disso, por exemplo, seja pela ausência de fóruns ou redes de apoio, na comunidade, que tirem dúvidas das pessoas referende ao uso da internet, seja pela carência de investimento em disponibilizar celulares e computadores para as massas mais pobres, o precário acesso à informação digital ainda será, infelizmente, um fato social.

Além disso, a deficiência de ensino escolar também contribui para a continuação da problemática. Nesse contexto, o teólogo Rubem Alves afirma que as escolas podem ser comparadas a asas ou a gaiolas,haja vista a possibilidade de promoverem liberdade ou limitação. Sob essa análise, muitas vezes, o despreparo fornecido pelas instituições de ensino público para lidar com a tecnologia evidencia a falta de importância dada à alfabetização digital da população. Dessa maneira, ora por conta da não implementação de cursos de informática gratuitos para os estudantes do ensino médio, que ensinem os fundamentos básicos da internet, ora por não haver, amplamente, oficinas ou atividades lúdicas com os alunos para possibilitar o acesso aos recursos digitais no currículo escolar, a conjuntura de anafalbetismo tecnológico irá perpetuar-se.

Portanto, torna-se substancial uma resolução. Posto isso, o Ministério da Educação deve implementar, em escolas públicas, a disciplina de educação digital no currículo estudantil, por meio do apoio profissional de professores de informática e de redes de computadores, que precisam ensinar a usar a internet com uma linguagem simples, a fim de popularizar a educação informática. Ademais, essa disciplina precisa instruir aspectos úteis,como realizar pagamentos e utilizar sites adequadamente. Assim, possivelmente, o postulado por Rubem irá se concretizar em escolas libertadoras.