A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 06/08/2021

A Constituição Federal de 1988 garante a todos os brasileiros o direito à educação. Entretanto, a prática deturpa a teoria, visto que grande parte da população não tem acesso a instruções sobre o meio digital, o que configura o analfabetismo digital. Nesse contexto, é importante analisar como a omissão escolar e a falta de acesso à internet contribuem para a manutenção dessa problemática.

Nessa perspectiva, acerca da lógica referente ao processo de analfabetismo digital, é válido retormar o aspecto supracitado quanto à omissão escolar neste. Nesse sentido, o educador Paulo Freire, na obra “Pedagogia do Oprimido”, defende que as escolas devem desenvolver nos estudantes habilidades socioemocionais, o que incluir a inseção no meio tecnológico. Contudo, essa realidade apontada pelo educador não está presente no Brasil, uma vez que as escolas só tem como prioridade o ensino de conteúdos tradicionais, deixado as ferramentas tecnológicas de lado. Consequentemente, o resultado dessas atitudes são jovens que desconhecem as inúmeras possibilidades oferecidas por um computador, por exemplo, ou mesmo os perigos presentes no ambiente virtual, como roubo de dados e propagação de notícias falsas.  Desse modo, a falta de instrução digital deve ser superada. pois além de ir de encontro a Constituição, pode expor os indivíduos a crimes cibernéticos.

Aliado a isso, o desigual acesso à internet também colabora para persitência desse nefasto cenário. Com efeito, de acordo com o filósofo Habermas, incluir não é apenas trazer para perto, é também oferecer ferramentas para que o indivíduo se torne um cidadão de fato. Dessa forma, não basta apenas celebrar a grandeza da internet, deve-se buscar, primordialmente, oferecê-la a todos. Porém, essa visão de Habermas está distante da realidade brasileira, haja vista que, segundo dados do Instituto de Geografia e Estatística(IBGE), cerca de 30% da população não tem acesso à internet no Brasil. Nesse viés, milhões de indivíduos são impossilitados de entrarem no ambiente virtual, em conseguinte substancial parcela da populaçaõ se torna vítima do analfabetismo digital, dado que para entender sobre tais tecnologias é fundamental tem acesso a elas.

Portanto, o Ministério da Educação- visto que é o órgão gestor do ensino no país- deve alterar a base curricular a partir da inclusão de disciplinas voltadas para a educação digital, por meio de parcerias com estados e municípios, para que  todas as localidades possam ser atendidas, a fim de ensinar para os jovens e as crianças a lidarem com o ambiente virtual, conhecedo os benefícios e perigos. Ademais, cabe ao Governo desenvolver programas sociais que promovam acesso gratuito a internet, sobretudo em comunidades carentes, visando trazer para sociedade brasileira a visão de Habermas e, assim, desmitificar o analfabetismo digital.