A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 11/08/2021
Em 2020, durante a pandemia do coronavírus, ficaram evidentes os problemas da montagem da estrutura do ensino à distância (EAD) no Brasil, pois as redes sociais foram carregadas de memes sobre os problemas que os professores estavam enfrentando para ministrar as aulas online, como não saber ligar a câmera ou o microfone. Nesse âmbito, os problemas enfrentados para fazer o EAD evidenciam que o analfabetismo digital é uma questão que precisa ser debatida no Brasil. Nesse contexto, a falta de educação digital provoca tanto o mal uso das redes como a exclusão digital.
Em primeiro lugar, a precária educação digital fortalece o crescimento da desinformação. Com o fácil acesso de aplicativos pelo celular, ficou fácil pesquisar e adquirir conhecimento. Entretanto, nem sempre as informações que estão contidas na internet são seguras, pois, atualmente, muitos casos de “fake news” foram reveladas como sendo parte de estratégia política, como foi o caso do Facebook, que vazou dados de seus usuários para a empresa Cambrigde Analytica com o intuito de influenciar as eleições presidenciais americanas de 2016 por meio do espalhamento de desinformação dos candidatos da época. Dessa forma, não saber identificar uma “fake news” e investigar sua veracidade é uma característica da maioria dos usuários das redes sociais, o que evidencia a precariedade da educação digital.
Em segundo lugar, por não saber utilizar de forma funcional a tecnologia, muitos usuários são excluídos de forma econômica. Ao não saber fazer atividades simples como anexar um arquivo no e-mail, no “what’s app”, ou fazer uma planilha no “excel”, os usuários ficam marginalizados no mercado de trabalho, pois deixam de ser vistos como potenciais trabalhadores para a maioria das empresas que, atualmente, exigem cursos digitais para a maioria dos concorrentes a vaga de emprego como o “curso do pacote office”. Desse modo, o analfabetismo digital também exclui economicamente, contribuindo para o aumento da desigualdade social.
Portanto, para que o analfabetismo digital deixe de ser um empecilho para a população brasileira, é necessário que o Congresso Nacional haja criando o programa “O mundo digital para todos” . Tal programa seria uma forma de alfabetizar digitalmente a população de baixo conhecimento tecnológicos, pois isso seria feito por meio da instalação de “lan houses” comunitárias nos municípios. Elas forneceriam cursos de aprendizados básicos do mundo digital financiados pelo governo: como utilizar e-mail, o pacote office e verificar a veracidade de notícias. Assim, o analfabetismo digital no Brasil seria combatido e deixaria de ser uma forma de exclusão social.