A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 17/08/2021
De acordo com o empresário Steve Jobes, a tecnologia move o mundo. Entretanto, na atualidade, é perceptível que nem todos possuem acesso a essa ferramenta, o que contribui para a desigualdade e discriminação nas relações sociais. Nesse aspecto, é válido analisar a questão da discrepância no uso das tecnologias digitais e a exclusão da população de baixa renda nessa problemática.
Em primeiro plano, é possível afirmar, que, um dos fatores que acarreta o analfabetismo digital é o pouco ou nenhum acesso à internet e aos aparelhos eletrônicos. Esse fenômeno ocorre devido à distribuição desigual dos sistemas de web, principalmente, nas zonas periféricas e rurais, que está intimamente aliado ao alto custo dos aparelhos celulares e ao baixo poder de compra dos indivíduos. Tal fato se reflete na violação da teoria do “Contrato social”, do filósofo Rousseau, pois o Estado não cumpre sua função de garantir os direitos básicos dos cidadãos, que nesse caso, se refere ao uso regular da internet e das tecnologias associadas. Dessa forma, é preciso que o governo desenvolva mecanismos que facilite a aprendizagem e o acesso igualitário ao ciberespaço atual.
Diante disso, a exclusão social, principalmente, dos menos favorecidos é a principal consequência do analfabetismo digital. Essa situação dialoga com a tese da “Microfísica do Poder”, do filósofo Michel Foucault, na qual ele defende que há relações de poder na sociedade, o que reforça a ideia de uma nação opressora, visto que aqueles que não possuem conhecimentos tecnológicos são inferiorizados e, assim, excluídos de qualquer área, seja no mercado de trabaho seja nos relacionamentos. Dessa maneira, é notório que para combater esse tipo de marginalização digital é preciso incentivo e investimentos tecnológicos eficazes para que todos tenham a mesma oportunidade de comunicação e uso das ferramentas inovadoras que as tecnologias oferecem.
Fica claro, portanto, a necessidade de reverter esse quadro mediante políticas públicas inovadoras. Nesse sentido, cabe ao Ministério da Ciência e tecnologia, ampliar o fornecimento das redes de internet para locais que são escassos desse recurso, por meio da aplicação de wifi e salas de informática gratuitas em praças públicas, com o intuito de aproximar os indivíduos da virtualização para que se evite discriminação e a exclusão digital da população de baixa renda. Ademais, é importante também, que esse órgão, em parceria com o Estado, imponha como obrigatoriedade nas grades curriculares das escolas, aulas diárias direcionadas ao ensino do uso correto dos aparelhos eletrônicos, apresentando as melhores formas de obter informações e conhecimento, a fim de que seja eliminado a ideologia de inferioridade causada pelo analfabetismo digital, contribuindo, assim, para a sociabilidade e para o desenvolvimento cognitivo dos jovens.