A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 16/08/2021
O romance filosófico “Utopia” criado pelo escritor inglês Thomas Morus no século XVI, retrata uma civilização perfeita e idealizada, na qual a engrenagem social é altamente segura e desprovida de conflitos. Tal obra fictícia, mostra-se distante da realizade contemporânea no tocante á analfabetização digital, problema ainda a ser combatido no Brasil. Esse panorama lamentável ocorre não só em razão da precariedade de condições econômicas para adiquirir produtos digitais, como também do uso inadequado do meio computacional. Desse modo, torna-se fundamental a análise dessa conjuntura para reverter esse quadro.
Nessa linha de raciocínio, é primordial destacar que a carência de condições econômicas de uma parcela da população, deriva da ineficácia do Poder Público, no qual concerne a criação de mecanismos, os quais coíbam tais recorrências. Sob a perspectiva do filósofo contratualista John Locke, o Estado foi criado em razão de um pacto social para assegurar os direitos fundamentais dos indivíduos e proporcionar relações harmônicas. Entretanto, é notório o rompimento desse contrato no cenário hodiemo brasileiro, visto que, devido á baixa atuação das autoridades, no quesito que remete a desigualdade social, faz com que grande parcela dos individuos nao apresentem condições para adquirir algo considerado essencial atualmente. Por exemplo, segundo o IBGE cerca de 40 milhões de brasileiros não tem acesso á internet no país, dessa forma, demonstrando o desequilíbrio econômico presente. Assim, fica evidente a ineficiência da máquina administrativa na resolução dessa situação caótica.
Além disso, o uso inadequado dos meios digitais apresenta-se como outro desafio da problemática. No Brasil os discursos de ódio nas redes sociais são muito recorrentes, analisa-se por exemplo, a afirmação feita pela Safernet (associação que tem como objetivo a segurança digital no Brasil), que diz já ter recebido mais de 2,5 milhões de denúncias de crimes de ódio na internet. Logo, isso retarda o combate ao anafabetismo digital, já que a quantidade de discursos desse tipo ainda vinculam em massa nas redes sociais.
Infere-se, portanto, a necessidade de medidas para a resolução do analfabetismo digital. Assim, cabe ao Congresso Nacional, por meio de uma alteração na Lei de Diretrizes Orçamentárias, ampliar os inventimentos relacionados a redes wifi e ao proporcionar meios tecnológicos, tendo como objetivo a englobação de toda a população na digitalização. Cabe também ao Ministério da Educação, por meio de palestras, desincentivar a perpetuação de discursos de ódio. Dessa forma, será possível concretizar a “Utopia” de Morus na sociedade brasileira.