A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 21/08/2021
O século XX é marcado pelo início da “Era digital”, termo usado para designar uma série de transformações tecnológicas e informacionais difundidas a partir de 1980, transformando toda a dinâmica global vigente. À vista desse fenômeno, coloca-se em pauta a questão do analfabetismo digital em território pátrio, registrada a necessidade por inserção do brasileiro na dinâmica mundial contemporânea. Por conseguinte, cabe a análise da estrutura socioeducacional que propicia a emergência e perpetuação da problemática, além da observação acerca de seus impactos sociais.
É relevante abordar, primeiramente, em países desiguais, como Brasil — que é o 7° mais desigual da terra, segundo Índice de Gini —,o acesso às novas tecnologias dá-se majoritariamente através da instituição escolar. Contudo, as realidades de ensino brasilero distanciam-se da potência difusora que possui, contribuindo para a exclusão digital da população mais pobre que depende diretamente dessa instituição, tendo em vista que, segundo TIC Educação 2018, uma em cada três escolas urbanas têm computadores. Nesse sentido, o Brasil caminha no sentido contrário à inclusão, distanciando-se do vivenciado em países como a China — que introduziu mais de 200 milhões de estudantes na educação digital.
Paralelo a isso, constata-se a geração de uma cadeia de malefícios gerados pelo analfabetismo digital, fato que dificulta o exercício da cidadania nesse ambiente. Nessa perspectiva, mesmo que o uso crítico e seguro do ambiente virtual esteja incluso na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), persistência na difusão de Fake News e a comum ocorrência de crimes cibernéticos evidencia a incapacidade de formação pátria cidadã e adaptada às realidades contemporâneas. Isso posto, retoma-se a ótica kantiana ao certificar-se que sob as trajetórias socioeducativas do ser coletivo recaem os males sociais.
Portanto, urge a criação de alternativas que contribuam para o remediação do analfabetismo digital no Brasil. Para tanto, o Ministério da Educação, em ação intersetorial com as Secretarias Estaduais de Educação, deve promover, nas diversas frentes acadêmicas, o desenvolvimento de pesquisas qualitativas — que objetivem elaborar estratégias para a coordenação de meios informacionais e integração social ao mundo virtual adaptadas às demandas regionais do país. A partir dessa ação, tornar-se-á possível a ordenação de políticas públicas que possibilitem o uso dos recursos estruturais e acadêmicos, visando democratizar o acesso às tecnologias e educar a população acerca de sua função e usos, destacando a potânica da internet e tornando-a um espaço cada vez mais harmônico.