A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 30/08/2021
Albert Einstein, grande físico teórico, afirmava que a tecnologia havia excedido a nossa humanidade. Nesse viés, é inegável a dependência humana diante as inovações tecnológicas que atuam positivamente no encurtamento de distâncias e possibilita maior praticidade no dia a dia. Entretanto, o analfabetismo digital no país, intensificado pelo o descaso estatal e a inércia social, compromete a plena utilização desses benefícios tecnológicos.
Em primeiro lugar, é lícito afirmar que a negligência por parte do Estado ratifica a analfabetismo digital. Diante disso, segundo a teoria do Contrato Social, proposta pelo filósofo John Locke, é dever do Estado garantir bem-estar social. Todavia, essa não é a realidade observada, haja vista que o Estado brasileiro tem deixado a desejar na alfabetização digital dos cidadãos, a tecnologia se tornou algo indispensável na vida dos seres humanos e não educá-los para usufruir de tal benefício é impossibilitar que eles desfrutem de um direito social indispensável, além do mais, o analfabetismo digital reflete na saúde da sociedade, pois sem a devida instrução para navegar nos novos meios tecnológicos a população se torna mais suscetível a cair em golpes ou compartilhar notícias falsas. Assim, faz-se necessária intervenção estatal para solucionar o problema.
Outrossim, é imperativo destacar a inércia social como um dos fatores que validam a problemática. Em vista disso, segundo o literato português Jose Saramago, no romance “ensaio sobre a cegueira”, o comportamento negligente por parte da população em não se mobilizar para exigir dos órgãos públicos direito igualitário de acesso às tecnologias e ensino gratuito para que estes saibam utilizar os recursos corretamente, é definido como “Eclipse de Consciência”, ou seja a ausência de sensibilidade dos indivíduos frente as mazelas sociais enfretadas pelo próximo, nesse caso o analfabetismo digital. Por conseguinte, sob efeito desse fenômeno, considerável parcela da população fomenta a invisibilização do imbróglio em evidência e a manutenção dessa situação maléfica à sociedade.
Urge, pois, que medidas sejam tomadas de modo a coibir o problema discorrido. Assim faz-se ação do Estado destinando verba para financiar a educação digital dos cidadãos, por meio da disponibilização de plataformas com cursos de acesso livre e gratuito para instruir a população e fóruns que contem com a assistência de profissionais qualificados para sanar eventuais dúvidas. Paralelo a isso, é dever do Ministério da Educação disponibilizar aparelhos tecnológicos de acesso gratuito nas instituições de ensino, de forma que estes façam parte da vida dos jovens para que cresçam familiarizados e aptos a utilizar de modo consciente e em prol do benefício coletivo. Feito isso, o Brasil poderá caminhar para a erradicação do analfabetismo digital.