A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 03/09/2021

O pintor Pablo Picasso, na obra “Guernica”, apresenta uma flor no plano inferior da tela, simbolizando a ideia de esperança perante um cenário de destruição causado por um conflito bélico. É possível realizar uma analogia entre esse elemento simbólico e o analfabetismo digital no Brasil, já que, diante deste entrave, adotar uma postura otimista pode favorecer o “florescimento” de soluções. Nessa perspectiva, é imprescindível analisar o processo de conscientização e a aplicação das leis existentes que envolvem essa questão no país.

Antes de tudo, compreende-se que o Poder Público tem se mostrado negligente ao permitir esse analfabetismo. Isso porque existe uma falha no processo de conscientização, visto que falta estimular os gestores das escolas públicas e privadas a realizarem a educação digital, por exemplo, promovendo aulas que aperfeiçoem o senso crítico dos alunos sobre a veracidade das notícias, prejudicando, assim, a credibilidade das informações que os indivíduos adquirem no meio digital e, por conseguinte, violando o direito à cidadania destes. Dessa maneira, nota-se que o Estado não tem garantido o bem-estar de todos, o que evidencia o descumprimento dos preceitos republicanos estabelecidos na Constituição Federal de 1988.

Ademais, pontua-se que aceitar esse analfabetismo é banalizar o mal. Porém, parte da sociedade tem apresentado certa apatia perante a ausência da aplicação das leis existentes, posto que falta assegurar o ordenamento jurídico que prevê punição para cibercrimes, como a Lei Carolina Dieckmann, o que tem comprometido a segurança digital e dificultado o uso dos meios virtuais como espaço de inclusão e progresso. Recorrendo aos estudos da filósofa Hannah Arendt para explanar essa situação, constata-se que, devido a um processo de massificação cultural, os cidadãos têm perdido a capacidade de discernir o certo do errado, ficando, então, inertes frente aos entraves existentes.

Ressalta-se, portanto, que o analfabetismo digital deve ser superado. Logo, é necessário exigir do Estado, mediante debates em audiências públicas, a conscientização dos gestores das escolas, priorizando palestras educativas com profissionais do meio digital, a fim de que seja garantida a criticidade dos alunos com as informações virtuais e sua cidadania plena. Além disso, é fundamental sensibilizar a comunidadde, via campanhas midiáticas feitas por ONGs, sobre a importância de não se adotar uma postura resignada perante a falta de conhecimento tecnológico, potencializando, assim, a mobilização coletiva em prol da punição aos cibercriminosos, com o objetivo de promover a segurança na internet e estimular seu uso para fins de inclusão e avanço social. Desse modo, seria possível solucionar essa problemática e não restringir a esperança à obra de Picasso.