A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 16/09/2021
Em 2011, a Organização das Nações Unidas (ONU) declarou que o acesso à internet é um Direito Humano e que desconectar a população da “web” viola essa política. No entanto, tal afirmativa não se faz presente na realidade do país, uma vez que a persistência do analfabetismo digital no Brasil implica uma exclusão do acesso pleno ao direito instituído. Nesse âmbito, seja pela lacuna educacional, seja pela negligência do Estado, faz-se necessária a análise de intervenções a fim de mitigar os entraves acerca dessa problemática.
De início, é valido frisar como a lacuna educacional promove o analfabetismo no Brasil. Nesse sentido, desde o Período Colonial, com um país traumatizado pelos portugueses, criou-se uma nação dependente do pensamento europeu devido ao nascimento tardio das instituições de ensino no território nacional. Assim, juntamente à persistência das escolas brasileiras em uma realidade arcaica, há a formação de cidadãos analfabetos referente às tecnologias contemporâneas. Sob essa ótica, a carência da educação digital na Base Nacional Comum Curricular (BNCC) acarreta na elitização do saber sobre a utilização da internet pela população menos favorecida, o que constitui a exclusão digital.
Outrossim, torna-se imprescindível discutir como a omissão estatal intensifica o analfabetismo virtual no Brasil. Com efeito, devido a um imediatismo social, alguns políticos pautam-se em medidas as quais contenham resultados rápidos e não duradouros, prejudicando, assim, a solução de problemáticas enraizadas, como o desconhecimento digital. Destarte, em razão da falta de incentivo governamental, emerge uma carência infraestrutural de profissionais capacitados, o que vai de encontro ao artigo 5° da Constituição Federal de 1988 o qual defende o direito fundamental de acesso à internet em sua totalidade. Diante disso, não é disponibilizado o acesso ao conhecimento básico referente ao modo de uso dos aparelhos eletrônicos, formando, desse modo, indivíduos vulneráveis e suscetíveis ao consumo de informações falsas.
Portanto, para solucionar a problemática em relação ao analfabetismo digital no Brasil, são necessárias medidas multilaterais. Sob essa lógica, é dever do Ministério da Educação, juntamente ao Ministério da Infraestrutura, organizar projetos que detenham, por meio de verbas governamentais, a implantação de computadores e materiais digitais em escolas públicas, a fim de um aprimorar a estrutura escolar, concomitante aos avanços tecnológicos contemporâneos. Ademais, tais agentes devem promover a intensificação de aulas de informática, visando a aquisição do conhecimento dos jovens acerca dos meios virtuais. Assim, certamente, a declaração da ONU terá surtido efeito no país.