A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 04/10/2021

Segundo Steve Jobs, fundador da Apple, a tecnologia move a contemporaneidade. No entanto, apesar de todos os benefícios da era da computação, o mundo tecnológico veio acompanhado de outro fenômeno: o analfabetismo digital. Nesse sentido, tal questão, vigente no Brasil hodierno, possui como causa principal uma educação que não engloba o ensino digital e, como principal consequência, a vulnerabilidade social de determinados grupos, no que tange às oportunidades do mercado de trabalho atual. Assim, é claro que medidas são imperativas para a minimização dessa problemática.

Em princípio, é necessário ressaltar que a ausência de uma educação formadora se configura como um dos fatores responsáveis pela questão do analfabetismo digital. Nessa perspectiva, o historiador Roger Chartier alega que a escola deve funcionar de modo a ser uma ponte em que o poder público intervém na formação da sociedade, inclusive no âmbito virtual. Entretanto, esse ideal não é concretizado no Brasil, visto que as instituições educacionais do país ainda não incluíram em seus currículos escolares o ensino digital – que engloba, no mínimo, o conhecimento de softwares como Word, Excel e Power Point, por exemplo - integrante importante na construção dos novos profissionais. Dessa forma, enquanto o ambiente escolar não preparar devidamente as novas gerações, inseridas na era eletrônica, o entrave do analfabetismo tecnológico perdurará no país.

Outrossim, há como consequência de tal problemática a vulnerabilidade, em especial, da parcela mais pobre da população – menos familiarizada com o meio digital, em razão da desigualdade social – que não consegue ocupar os novos postos de trabalho. Nesse cenário, a mudança do setor produtivo, que passou a exigir uma maior formação técnica das pessoas, não foi acompanhada pelo setor educacional e, por conseguinte, resultou no que Karl Marx chamou de “exército de reserva”: massa de desempregados, socialmente vulneráveis, que se submetem a serviços degradantes por não vislumbrarem outra forma de subsistência. Desse modo, percebe-se que a erradicação do analfabetismo digital é substancial para a formação de profissionais capazes de se inserir no novo mercado tecnológico, modificando, assim, a questão da vulnerabilidade social da população brasileira.

Por fim, vê-se que tal cenário carece de alterações. Para isso, urge que o Ministério da Educação – instância que coordena o ensino do país – proporcione uma educação formadora, também no âmbito tecnológico, por meio de uma adaptação dos currículos escolares às novas exigências do mercado de trabalho, a fim de que o analfabetismo digital deixe de ser um responsável por colocar indivíduos em situação de vulnerabilidade social. Dessa maneira, o Brasil poderá usufruir dos benefícios advindos das tecnologias, que, como disse Steve Jobs, representam o motor do mundo contemporâneo.