A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 08/10/2021

Os avanços tecnológicos e informacionais realizados pelo homem permitiram que distâncias fossem encurtadas e que serviços fossem disponibilizados de forma mais eficiente e rápida. No entanto, o caráter recente dessas ferramentas, juntamente com as múltiplas formas de desigualdade que permeiam a sociedade, impede que elas possam ser acessadas de forma íntegra por todos, caracterizando, portanto, uma nova forma de desinformação virtual.

Em relação às desigualdades, é necessário apontar a dificuldade no acesso às novas tecnologias por uma parcela da população.  De acordo com uma pesquisa realizada pelo  TIC Domicílios, 43% das classes sociais D e E não possuiam acesso à internet,  uma diferença exorbitante comparado aos apenas 5% da classe A. A falta de acesso por uma parcela da população a rede mundial de computadores contribui para sua desinformação, uma vez que a rede configura o maior serviço de busca da atualidade, dificultando ainda mais o aprendizado sobre o uso correto de novas tecnologias, e transformando a revolução tecnológica em um fenômeno restrito às elites econômicas.

Em virtude da desinformação, surge a possibilidade para golpes e invasões de privacidade. A série Control Z, da Netflix, apresenta os riscos presentes no uso inadequado de tecnologias, como o vazamento de informações pessoais, difamação e roubos virtuais. Com o advento das redes sociais e de aplicativos de serviço como os de bancos e de sites de compra e entrega, esses riscos se tornam cada vez mais presentes na realidade dos brasileiros, que, ao fazer uso inadequado e desinformado dessas ferramentas, colocam seus dados em sites poucos confiáveis e com termos de uso que maleficiam o usuário.  Como consequência, o fator benéfico das redes é subvertido, impedindo as instâncias de socialização virtuais e comprometendo a eficiência promovida por seus múltiplos recursos.

Em conclusão, de modo a combater o analfabetismo digital, é necessário que o Ministério da Educação, através de atividades públicos gratuitos como palestras e oficinas, conscientizem a população sobre o uso correto de  novas tecnologias. Essa medida, juntamente com a criação de redes públicas de internet pelo Ministério do Desenvolvimento Regional, visa a assegurar também uma navegação seguras pelas redes virtuais e uma diminuição nas desigualdades presentes no Brasil.