A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 07/10/2021
O século XXI tem trazido consigo inúmeros avanços e descobertas no campo tecnológico, em especial no mundo digital. O uso de smartphones, computadores, rede sociais e bancos digitais já é realidade no cotidiano de grande parte dos brasileiros desde o início da última década, auxiliando muitos no trabalho, finanças e aproximando os laços sociais. Entretanto, se tratando de um país marcado por uma severa desigualdade social, tais inovações tecnológicas ainda enfrentam barreiras ao adentrar a sociedade brasileira, ficando restritas à certa parte da população além de sofrer um atraso em relação a outras nações.
A desigualdade social no Brasil é um fator fundamental para as limitações que muitos brasileiros enfrentam no mundo digital. De acordo com a pesquisa TIC Domicílios, cerca de 46 milhões de brasileiros não possuem acesso à internet, 45% desse total explicando que o serviço é muito caro. Além disso, vale ressaltar que enquanto escolar particulares já disponibilizam os mais variados equipamentos eletrônicos para seus alunos, instituições de ensino públicas enfrentam extremos obstáculos em sustentar um ensino e estrutura pouco financiados pelo governo. Assim, cria-se uma disparidade entre a qualidade de informação e conhecimento propocionada àqueles que possuem acesso tecnológico e aos que não são tão favorecidos, fortalecendo ainda mais a desigualdade social no país.
Ademais, a falta de investimento na democratização digital no Brasil tem como resultado grande parte da população se mostrando cada vez mais alheia às inovações tecnológicas, tendo em vista que elas continuam a se desenvolver exponencialmente, além de se tornar mais vulnerável a ataques e golpes virtuais. Um ranking divulgado pela revista The Economist, apontou o Brasil como o 4º país que mais confia nas informações depositadas em redes sociais. Esses dados colocam o país em uma posição alvo para ataques cibernéticos como hackers e vazamento de informações privadas, além de demonstrar como os brasileiros estão sucetíveis a acreditar em notícias falsas, revelando-se uma população facilmente manipulável.
Em conclusão, é possível afirmar que a população brasileira demonstra grande vulnerabilidade digital fruto das desigualdades sociais no país. Portanto, visando democratizar o acesso digital com o objetivo de combater as diferenças sociais no acesso à informação e proteger seus usuários, é necessário que o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, responsáveis pela administração científica no país, criem programas, através de investimentos públicos, voltadas à população mais carente oferecendo aparelhos eletrônicos além de aulas que objetivem facilitar a compreensão dessas tecnologias.