A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 07/10/2021
Analfabetismo digital pode ser descrito como uma falta de conhecimentos em torno da utilização de tecnologias e inovações recentes. Essa situação é especialmente grave no Brasil, e países similares, onde uma parcela menos favorecida da população não possui acesso ao mundo digital e possui um sistema educacional que não proporciona uma alfabetização digital adequada.
No que se relaciona com a falta de acesso à tecnologias, torna-se relevante falar que no Brasil, de acordo com o IBGE, mais de 52 milhões de brasileiros vivem abaixo da linha da pobreza. Para essas famílias, pagar por qualquer inovação que seja não é uma prioridade, já que seus orçamentos são direcionados a necessidades básicas, como alimentação, luz e água. Com isso, a parcela menos favorecida da população se vê em uma bolha, já que o mundo continua a se digitalizar, enquanto eles são deixados para trás, criando um afastamento maior entre as classes sociais.
Enquanto isso, no âmbito escolar, espera-se que os alunos nascidos depois do advento da internet já estejam familiarizados com as novas tecnologias, então, as escolas não se preocupam em ensiná-los. Porém, essa noção está errada, como visto no relatório anual The Inclusive Internet Index 2019, em que o Brasil mostrou-se um país muito imaturo no âmbito digital, já que demonstrou uma população que está disposta a confiar em mensagens em redes sociais como uma fonte segura de dados. Isso cria um ambiente propício para a propagação de Fake News que, assim como aconteceu durante as eleições dos Estados Unidos, pode levar à fermentação de movimentos políticos extremistas. Depreende-se, portanto, que esses problemas devem ser combatidos. Para tal, o Ministério da Ciência e Tecnologia deve, por meio de parcerias público-privado, criar um modelo de vendas em que a compra de tecnologias seja mais acessível à população mais pobre. Assim aumentando o número de pessoas que têm acesso à internet, consequentemente, diminuindo o tamanho da bolha digital. Em paralelo a isso, o Ministério da Educação deve, através de uma mudança na grade curricular, enriquecer o ensino sobre o uso de tecnologias, para amenizar a falta de senso comum em relação à forma de navegar na internet.