A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 08/10/2021
Os avanços tecnológicos da medicina têm proporcionado uma melhoria na qualidade de vida, a qual resultou num aumento da expectativa de vida e consequente envelhecimento da população. Porém, simultaneamente, há o acelerado avanço dos recursos tecnológicos da informação e da comunicação, que acabam por sobrepor-se ao aspecto social, gerando, assim, uma nova forma de segregação: a exclusão digital. A alfabetização tecnológica é um desafio principalmente para a população idosa, devido à falta de conhecimento e acessibilidade de tais recursos.
Nesse contexto, os idosos têm revelado dificuldades com as novas linguagens e tecnologias, sendo chamados de analfabetos digitais. Elas existem porque estes se desenvolveram em um contexto histórico e social no qual a tecnologia estava em um patamar significativamente mais primitivo comparado ao atual. Assim, segundo Pierre Lévy, em seu livro Cibercultura, tais dificuldades se dão principalmente pelo fato de que as tecnologias digitais propiciam uma nova dimensão comunicacional, onde os internautas são convidados a superar a condição de meros espectadores, que caracteriza a relação com a mídia tradicional, para se tornarem colaboradores e cocriadores na web. Dessa forma, não basta ter um computador conectado à Internet, é preciso saber usá-lo em suas possibilidades a fim de potencializar a cidadania no ciberespaço.
Outro fator que agrava o analfabetismo digital da terceira idade é a falta de acessibilidade. A difusão de novas tecnologias tem exigido dos idosos um aprendizado contínuo, para que possam interagir de forma autônoma. Porém, declínios sensoriais, motores e físicos decorrentes do avanço da idade são barreiras que os distanciam dessa realidade. Sendo assim, grande parte do público idoso encontra dificuldades de interação com as interfaces desenvolvidas atualmente. A web poderia ser ainda mais democrática caso seus desenvolvedores se preocupassem com a diversidade de usuários existentes. Entretanto, o que se observa é que a maioria das tecnologias não segue quaisquer diretrizes de acessibilidade necessárias para que essa democratização se materialize.
Nota-se, portanto, que a alfabetização tecnológica para a terceira idade encontra obstáculos na falta de conhecimento e na falta de acessibilidade voltada a essa população. Logo, faz-se necessário que o Conselho dos Idosos, em nível municipal, promova cursos gratuitos de técnicas de comunicação, computação e demais avanços tecnológicos, obedecendo ao Estatuto do Idoso. Uma vez garantido seu direito, ele será integrado à vida moderna, contribuindo, assim, para a qualidade de vida e de autonomia deste segmento social.