A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 13/10/2021

A Constituição Federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê, em seu artigo 6º, o direito à educação como inerente a todo cidadão brasileiro. Conquanto, tal prerrogativa não tem se reverberado com ênfase na prática quando se observa que parcela da população brasileira é analfabeta digital.  Essa conjuntura tem como fomento a falta de formação no âmbito educacional.

Nesse contexto, é válido ressaltar que o analfabetismo digital se caracteriza como a dificuldade ou impossibilidade de se utilizar os recursos digitais, como a internet e computadores. Consoante ao Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística(IBGE), 170 milhões de brasileiros não sabem utilizar corretamente a internet e as ferramentas digitais. Diante disso, parcela da população fica à margem do mundo digital, impossibilitados de usufruírem dos benefícios fornecidos por esse. Tal situação segregacionista contraria o princípio do “Espaço Público”, da filósofa Hannah Arendt, que defende a total inclusão dos oprimidos -aqueles que não são educados digitalmente, nesse caso- na teia social.

Outrossim, é imperativo destacar que a falta de uma educação formadora como um dos fatores que contribui com o analfabetismo digital. Segundo Roger Chatier, grande historiador contemporâneo, a escola deve funcionar de modo a ser uma ponte em que o poder público intervém na formação da sociedade, inclusive, no contexto digital. Entretanto, na realidade brasileira, esse ideal não é concretizado, visto que as instituições de ensino, muitas vezes, não ofertam uma formação para os alunos dominarem essas ferramentas tecnológicas. Desse modo, enquanto o ambiente escolar não preparar devidamente seus discentes no que tange à tecnologia, o analfabetismo digital perdurará sobre o país.

Fica evidente, a necessidade de medidas que revertam essa situação no cenário brasileiro. Assim, Ministério da Educação deve, por meio de verbas oriundas do Tesouro Nacional, e em parceria com os colégios brasileiros, fornecer aulas de educação tecnológica, ministradas por professores com formações na área de tecnologia. Essas aulas ensinarão os alunos a se conectarem à internet e usufruírem dela sem dificuldade, além de capacitarem os discentes a utilizar as ferramentas digitais, como computadores, sem dificuldades, a fim de mitigar o analfabetismo digital no brasil. Em vista disso, espera-se que o direito promulgado pela Constituição seja garantido a todos os brasileiros.