A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 16/10/2021

De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), o acesso à internet é um direito humano do século 21. Partindo desse pressuposto, a falta de acesso às redes e o uso ineficiênte dessa tecnologia afeta diretamente a qualidade de vida e a dignidade humana. Esse cenário de exclusão digital é vivenciado por muitos brasileiros e se traduz em um fenômeno denominado analfabetismo digital, que não somente amplia desigualdades sociais como também impede o exercício pleno da cidadania.

Para o filósofo renascentista Francis Bacon, o saber é uma forma de poder. Por isso, a difusão das informações e dos saberes que antes estavam restritos a instituições e a determinados grupos sociais, com o advento da internet, foram essenciais para uma maior democratização do conhecimento. Assim, algumas barreiras, como a distância física, foram relativizadas, ao ponto de muitos viverem em intensa conectividade, e sem dúvida, esse é um aspecto positivo da revolução digital. No entanto, o horizonte de possibilidades foi aberto para poucos, e paradoxalmente, a mesma fonte de poder impulsiona uns e segrega outros.

Essa exclusão digital se manifesta em diferentes graus. Por exemplo, existem aqueles que são limitados estrutural e financeiramente, haja vista que milhões de brasileiros ainda vivem na linha da miséria e o acesso à conexão e aos equipamentos são caros, sendo que determinadas regiões sequer são atendidas pelo sinal de internet. Há também os que tem acesso a esses bens mas  tem dificuldade na compreensão da linguagem usada, bem como em confiar seus dados e informações pessoais, restringindo seu uso as redes sociais, tendo assim um acesso superficial e limitado dessa tecnologia.

Portanto, cabe ao Governo, por meio do Ministério da Cidadania, promover políticas públicas que possibilitem meios de acesso e qualificação do uso da internet a esses grupos isolados digitalmente. Atuando por meio da ampliação de programas como as “ilhas digitais” em regiões socialmente vulneráveis e ofertando aulas gratuitas de inclusão tecnológica nessas comunidades. Assim como, oferecer subsídios para a compra de computadores para famílias de baixa renda, juntamente com parceirias com provedores de telecomunicações, a fim de disponibilizar pacotes de internet mais acessiveis a essa população. Dessa forma, será possível diminuir a segregação digital e mais cidadãos poderão usufruir de seus direitos.