A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 18/10/2021

A Constituição Federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê em seu artigo 6º, o direito a educação como inerente a todo cidadão brasileiro. Conquanto, tal prerrogativa não tem se reverberado com ênfase na prática quando se observa a questão do analfabetismo digital no Brasil.

Problamatica que é favorecida pela inoperância governamental, no tocante à formação educacional da população - que impacta indiretamente, porém profundamente nessa questão - e também na inclusão digital das camadas populacionais mais pobres .

Em uma primeira análise, deve-se ressaltar a ausência de medidas governamentais para combater o o analfabetismo digital no Brasil. Nesse sentido, a precária situação do sitema educacional público no país, impede que a maioria dos cidadãos tenham uma formação educacional de qualidade, dessa forma, dificultando que asimilem as constantes inovações tecnológicas e digitais, o que impossibilita o uso adequado dessas.  Essa conjuntura, segundo as ideias do filósofo contratualista John Locke, configura-se como uma violação do “contrato social”, já que o Estado não cumpre sua função de garantir que os cidadãos desfrutem de direitos indispensáveis, como a educação, o que infelizmente é evidente no país.

Ademais, deve-se apontar a falta de acesso aos meios digitais de considerável parte da população, como impulsionador deste problema. Levantamentos recentes do Institúto Brasileiro de Geografia e Estatística, mostram que 12,6 milhões de domicílios ainda não tinham internet no Brasil, sendo muitos destes casos por falta de condições financeiras. Consequentemente, essas pessoas ficam impossibilitadas de aprender a usar a tecnologia, e então quando precisam interagir com esta (devido a cada vez maior integração do meio digital com a sociedade), o fazem  de forma inadequada. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.

Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater esses obstáculos. Para isso, é imprescindível que o Governo em parceria com o Ministério da Educação, atravéz da aplicação de verbas públicas e da implementação do plano educacional, garanta que toda escola tenha um laboratório de informatica, além de incluir obrigatoriamente a disciplina de informática na ementa escolar. Dessa forma os cidadãos poderão estar desde cedo familiariazados com o meio digital, e assim poderão usá-lo de forma responsável e funcional, se precavendo dos perigos virtuais como golpes e fake news. Em conjunto a isso, abertura para o público, de cursos gratuitos nestes mesmos  laboratórios de informática, atenderá aqueles sem acesso aos recursos tecnológicos. Assim, tornar-se-á possível a construção de uma sociedade permeada pela efetivação dos elementos elencados na Magna Carta.