A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 20/10/2021
A “Revolução Técnico-Científico Informacional” é a expressão utilizada pelo geógrafo Milton Santos para nomear a presença dos aparatos tecnológicos em quase todas as esferas sociais no século XXI. Diante disso, verifica-se a importância de ter bom domínio sobre as tecnologias. Todavia, nem todos os brasileiros conseguem apresentar tal característica, uma vez que são analfabetos digitais. Certamente, entre vários motivos, isso é causado pelo analfabetismo funcional e afeta a cidadania desses indivíduos.
Antes de tudo, vale ressaltar que uma das raízes do analfabetismo digital é o letramento básico disfuncional. Segundo o Instituto Nacional do Analfabetismo Funcional, três em cada 10 brasileiros não sabem relacionar números e palavras para interpretar cartazes e notícias, por exemplo. Desse modo, se muitos apresentam dificuldades com textos simples, consequentemente também possuem adversidades no uso das tecnologias. Afinal, os comandos apresentados em notebooks são complexos, como para o instalamento de aplicativos e atualização do sistema operacional, e usam termos técnicos e códigos formais da língua portuguesa, que exigem boas habilidades interpretativas.
Consequentemente, os dilemas na utilização das tecnologias atrapalham a experiência de uma cidadania plena. Sem dúvidas, isso acontece porque os sujeitos, por serem leigos no meio virtual, ficam mais suscetíveis a serem manipulados e acreditarem em notícias que atrapalham a sua participação política, visto que falta consciência e senso crítico sobre os fluxos informacionais cibernéticos. De acordo o demonstrado no documentário “O Dilema das Redes”, entidades brasileiras, em 2018, espalharam diversas “fake news” que influenciaram a decisão de voto da população. Assim, observa-se que diversos cidadãos foram privados de participarem de uma votação consciente e livre de influências, conforme a Constituição Federal de 1988 dita.
Percebe-se, portanto, que medidas são necessárias para resolver o impasse. Logo, é fundamental que o Ministério da Educação - órgão responsável por medidas educativas - combata o analfabetismo tecnológico no Brasil. Isso ocorreria por meio de projetos de alfabetização nas escolas, que integrem as tecnologias a fim de educar os alunos para conseguirem ter bom desempenho interpretativo básico e por conseguinte o domínio do ambiente digital e discernimento sobre as informações que são expostas virtualmente. Dessa forma, espera-se que, aos poucos, todos tenham conhecimento e consciência crítica para usufruírem dos frutos da Revolução Técnico-Científico Informacional e não terem a sua cidadania afetada por manipulações.