A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 09/11/2021
No filme “Eu, Daniel Blake”, o protagonista -um trabalhador em busca de direitos previdenciários- esbarra na extrema burocracia amplificada pelo fato de ele não entendre absolutamente nada de tecnologias. Fora da cinematografia, a realidade assemelha-se a essa perspectiva, já que o analfabetismo digital é uma problemática recorrente na sociedade Brasileira. Nesse panorama, o desinteresse da escola em defender essa pauta e a desigualdade social favorecem a manutenção do impasse. Desse modo, é evidente a premência de sanar a problemática em questão.
Sob essa perspectiva, é válido sinalizar a educação, nos moldes predominantes no Brasil, como forte agravante ao dilema. Para entender tal apontamento, é justo relembrar a obra “Educação Progressiva”, do educador Anisio Teixeira, na medida em que ela destaca a importância da escola como reduto de formação integral do ser humano e, consequentemente, como propulsora de equilíbrio em equilíbrio com toda uma sociedade. Nesse sentido, pode-se afirmar que a maioria das instituições de ensino brasileiras, uma vez que são conteudistas, não priorizam o ensino de questões relacionadas às ferramentas tecnológicas, o que pode inspirar a exclusão digital de brasileiros, e lamentavelmente não formar sociedades socialmente integrais, da forma como Teixeira idealizou. Faz-se imprescindível, portanto, a dissolução dessa nefasta conjuntura.
Ademais, a disparidade social no Brasil é outro ponto que fomenta a problemática. Nesse sentido, de acordo com o Coeficiente de Gini - medida que classifica o grau de desigualdade em um país- o Brasil amarga o posto de 8ª pior nação do planeta em diferença de renda. Nessa lógica, essa cruel disparidade faz com que uma parcela da população não tenha familiaridade com o ciberespaço, o que resulta em uma impossibilidade de se adaptar ao uso dessa ferramenta. Dessa forma, parte do povo brasileiro, devido a sua condição social, é impedido de ter acesso à tecnologia, fato que, consequentemente, agrava esse entrave. Assim, percebe-se que essa inaceitável questão leva à perpetuação patológica do desequilíbrio social no Brasil e precisa ser combatida.
Portanto, são necessárias medidas capacitadas de mitigar uma problemática. Para tanto, o Ministério da Educação –no exercício de seu papel constitucional- deve inserir o discursão acerca dos recursos digitais nas escolas, por meio de debates ao longo do ano letivo. Tal plano deve incluir feiras instrutivas, mesas-redondas e desempenho temáticas entre alunos e o corpo docente, com o fito de diminuir os índices de analfabetismo digital no País. Ademais, o Governo Federal deve criar campanhas que sejam veiculadas às mídias nas quais o tema em questão seja abordado. Assim, o tecido social brasileiro se afastará da triste realidade apresentada no longa-metragem “Eu, Daniel Blake”.