A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 13/11/2021

A Terceira Revolução Industrial, marca o início de uma era caracterizada por grandes avanços no setor de telecomunicações. O marco principal, se dá pelo surgimento da internet e junto à ela os aparelhos e os serviços digitais. Embora em seu início a acessibilidade tenha sido limitada, atualmente a internet tornou-se mais presente no dia-a-dia. Todavia, o que observa-se no Brasil, é o que se chama de analfabetismo digital, ou seja, a não aptidão para o uso dessas tecnologias. Assim, torna-se necessário discutir essa questão em dois vieses: suas causas e consequências para a sociedade e o indivíduo.

Como todo grande problema, suas raízes estão em questões socioeconômicas e educacionais. Segundo o Índice de Gini, o Brasil é a 10º nação com maior desigualdade social. Esse número, reflete em vários âmbitos, inclusive o tecnológico. Devido essa disparidade econômica, muitos cidadãos não têm acesso à internet, devido a necessidade de certo poder aquisitivo para obter tal. Mesmo essa estando tão presente no cotidiano e substituindo os meios físicos de serviços e informações. Ademais, na ótica do historiador Roger Chatier, a educação deve ser ponte entre os problemas e o desenvolvimento da sociedade. De maneira análoga, quanto antes o indivíduo tiver contato com os meios digitais, mais facilmente ele será inserido neles e consequentemente a sociedade poderia se digitalizar sem excluí-los. Todavia, a formação educacional do Brasil é segregacionista e intrinssicamente ligada à questão socioeconômica, corroborando para a manutenção do problema.

Não obstante, a exclusão digital assume grandes consequências. A pandemia do Coronavírus, salientou o quanto o país não está preparado para um mundo parcialmente digital. Com as aulas onlines, home office e serviços funcionando majoritariamente online, muitas pessoas ficaram perdidas em como realizar suas tarefas por meio de um celular ou de um computador. Os impactos foram diversos: estudantes sem aulas, indivíduos sem acesso ao Auxílio Emergencial, desemprego e dificuldade na contratação pela exigência de conheciemento digital. O último, em especial, que vem se tornando um diferencial e critério de inclusão e exclusão no ambiente de trabalho. Para além do uso de hardwares, quem navega na internet e não tem conhecimento adequado, acaba se tornado alvo fácil para hackers e fake news. Estando expostos a roubo de dados e privação de informações verdadeiras.

Diante disso, é imprescindível a tomada de medidas atenuantes ao entrave abordado. Posto isso, concerne ao Ministério da Educação em parceria com o Ministério da Tecnologia, a criação de um programa de alfabetização digital. Por meio de cursos capacitantes gratuitos, oferecidos pelas UFs e IFs. Tal projeto, contaria com alunos e professores das instituições que ensinassem não só informática básica, bem como, o uso dos serviços onlines. Objetivando, a garantia da Cidadania Digital.