A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 20/11/2021
Nas palavras do filósofo Pierre Lévy, “toda tecnologia tem seus excluídos”. De acordo com esse pensamento, sempre existirão aqueles não inclusos ao avanço tecnológico e no meio digital não é diferente. Nesse sentido, em paralelo ao mundo que vive uma era digital, existem aqueles que, infelizmente, não possuem o privilegio de usufruir da tecnologia, o analfabetismo digital cresce de acordo com o avanço digital. Isso, no Brasil, decorre não só da desigualdade social, mas também da insegurança no meio digital.
Nessa linha de raciocínio, é clara a contribuição negativa da desigualdade social na democratização digital. De acordo a PUND (Programa das Nações Unidas de Desenvolvimento), o Brasil, em 2019, era o sétimo pais mais desigual do mundo. Sob esse viés, o analfabetismo digital, se dá, muitas vezes, pela falta de uma educação de qualidade e pela falta de condições financeiras para ter qualquer tipo de tecnologia, o que resulta na falta de conhecimento básico sobre o meio digital. Sendo assim, ao deparar-se com a tecnologia, o indivíduo que não teve oportunidade de contato com a mesma, terá dificuldade em aprender e vergonha por não se sentir incluso.
Ademais, é importante evidenciar a influência negativa, principalmente sobre os idosos, da insegurança ao aderir novas tecnologias. Segundo o filósofo Immanuel Kant, o homem é o que a educação faz dele. Com isso, entende-se que a educação molda os pensamentos e emoções dos indivíduos. Nesse contexto, a insegurança acerca da era digital, pelos idosos, é compreensível, uma vez que quando eles foram educados, não existiam tais tecnologias, além de que vários idosos, por excesso de confiança, em desconhecidos, acabam sofrendo golpes digitais, e perdendo dinheiro. Assim, mesmo aqueles que não foram enganados, tem insegurança por causa de propagandas negativas da mídia, que sempre relatam sobre golpes e vícios digitais.
Portanto, urge que o Governo Federal, por meio do Ministério da educação, adicione na grade educacional das escolas, a disciplina de informática e proporcione tecnologia digital para aulas práticas, de modo que todos tenham oportunidade de usar e aprender mais sobre o meio, democratizando seu acesso e seu estudo. Dessa forma, espera-se mitigar a questão do analfabetismo digital no Brasil, e assim tornar a realidade diferente do pensamento de Lévy.