A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 20/11/2021

De acordo com o antropólogo Claude Lévi-Strauss, o entendimento de uma sociedade pressupõe a compreensão de seus pilares. Paralelamente, o Brasil contemporâneo evidencia diversas barreiras que corroboram para o analfabetismo relacionado aos meios digitais, um dos alicerces socioeconômicos do país. Diante disso, deve-se averiguar dois fatores que engendram a problemática, os quais devem ser combatidos: a insuficiência de políticas educacionais digitais e a intensificação de golpes e fraudes no ambiente tecnológico.

Primeiramente, é fulcral ilustrar o dilema por meio do conceito de educação libertadora, orquestrado pelo sociólogo Paulo Freire. Nesse contexto, o Estado possui o dever de promover meios educacionais que libertem os cidadãos de prisões intelectuais e socioeconômicas. Entretanto, de acordo com pesquisas da The Inclusive Intelectual Index, o país está abaixo da 60ª posição mundial relacionada à educação digital. Dessa forma, fica evidente a ausência de estratégias governamentais que objetivem o combate ao analfabetismo digital, visto que a internet se revela como ferramenta essencial para o desenvolvimento socioeconômico contemporâneo.

Consequentemente, os brasileiros se tornam mais suscetíveis à criminalidade nos meios eletrônicos. Nesse sentido, o direito ao acesso à internet, conforme estabelecido pela Organização das Nações Unidas, é experimentado de maneira incompleta pelos cidadãos, tendo em vista que a insegurança digital decorre, principalmente, da precarização educacional abordada. Em vista disso, faz-se necessária a adoção de ações que remediem os obstáculos concretizados pelo ‘‘cyberanalfabetismo’’, de modo a capacitar os brasileiros para o uso desse  instrumento tecnológico.

Portanto, para que as barreiras mencionadas sejam atenuadas, é mister que o Ministério da Educação fomente a potencialização da alfabetização digital. Para isso, os cidadãos deverão ser conscientizados, por meio da construção de núcleos educacionais em áreas centrais e, principalmente, periféricas dos municípios, a fim de habitar os brasileiros para a utilização adequada da internet. Desse modo, os malefícios provocados por essa problemática seriam combatidos, fortalecendo um pilar socioeconômico do Brasil.