A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 28/01/2022
“O importante da vida não é viver, mas viver bem”. De acordo com Platão, filósofo da Grécia Antiga, é a qualidade de vida, e não a simples existência, o que deve ser valorizado. Mais de dois mil anos depois, na conjuntura brasileira contemporânea “viver bem” ainda se mostra uma difícil tarefa a grande parte dos indivíduos analfabetos digitais, haja vista que tais pessoas são privadas de muitos direitos por não serem letradas digitalmente. Nesse viés, faz-se imperioso um debate acerca desse revés, tendo em vista as causas de ordem social e estatal.
Primordialmente, é fulcral salientar a culpa de parte da população à degradante situação dos analfabetos digitais no país. Posto isso, a filósofa alemã Hannah Arendt, em seu conceito da “Banalidade do Mal”, reflete sobre o processo de massificação da sociedade, o qual formou indivíduos incapazes de realizar julgamentos morais, tornando-se alienados que ignoram problemas que atingem grupos minoritários. O conceito da pensadora pode ser relacionado aos cidadãos iletrados no ramo da tecnologia, na medida em que, pela falta de debates e informações difundidas acerca da realidade dessas pessoas, escassas atitudes são tomadas para alterar esse panorama. Por conseguinte, em muitos casos esses cidadãos sofrem por não usufruirem de todos os avanços da tecnologia, ficando assim sem boas fontes de informações e mais suscetíveis a serem acometidos por golpes.
Outrossim, é imporatante destacar a insuficiente ação do Estado contra o imbróglio. Nesse sentido, conforme o filósofo Maquiavel, o principal objetivo do governante é a manutenção do poder e não a promoção do bem comum. Nesse prisma, há uma negligência governamental, que promove insuficientes ações conscientizadoras e de ajuda à realidade daqueles que não possuem conhecimento sobre o mundo digital, pelo fato de que políticas públicas para essa parcela da população não garantem um amplo efetivo de votos aos políticos. Isso porque a população, em sua maioria, não está preocupada com a situação dos brasileiros que arcam com a consequência dessa postura e, por isso, não vota em governantes que tem como pauta ações em benefício desse grupo. Logo, prevalece uma inércia do Estado quando se trata de mudar tal cenário.
Portanto, para a mitigação dos problemas causados pelo analfabetismo digital, cabe ao Ministério da Ciência, Teconolgia e Inovações em parceria com o Ministério da Educação, proporcionar por meio das escolas, aulas sobre como lidar com a tecnologias atuais e como se manter bem informado, as quais terão um enfoque no uso prático das tecnologias no dia-a-dia. Paralelamente, é imprescíndivel que a sociedade cobre por políticas públicas voltadas para o grupo em foco. Dessa maneira, espera-se que a parcela da população prejudica pelo óbice possa, finalmente, “viver bem”.