A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 19/02/2022
“No meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do caminho”, o famoso poema de Carlos Drummond de Andrade trata de um eu-lírico que possui obstáculos dificultando sua caminhada. Analogamente, o poema representa o cotidiano de diversos brasileiros, os quais possuem como pedra o aprendizado tecnológico. Tal fato caracteriza o chamado analfabetismo digital, o qual advém de uma negligência governamental referente à educação, provocando a exclusão social dessa parcela de indivíduos.
Em primeira análise, é necessário destacar que o descuido do governo constitui uma problemática na questão do ensino digital. Segundo o filósofo John Locke, a sociedade é regida por um “contrato social” em que o Estado deve garantir a todas as pessoas seus direitos naturais. Entretanto, observa-se uma lacuna na manutenção de tais direitos no que concerne à educação, pois as autoridades não ofertam uma formação tecnológica adequada nas escolas brasileiras.
Por conseguinte, o analfabetismo digital provoca a exclusão social de pessoas sem o conhecimento básico em tecnologia. Desde a Revolução Técnico-Científica e Informacional, a sociedade vive em um mundo globalizado, no qual, atualmente, grande parte dos procedimentos burocráticos e civis realizam-se via tecnologia, tais como realizar uma transferência bancária pelo celular ou utilizar o caixa eletrônico. No entanto, diversos brasileiros possuem dificuldades em efetuar essas tarefas, sendo defasados, portanto, na cidadania digital, a qual deveriam ter pleno acesso. Desse modo, é evidente que o maior desafio para combater o analfabetismo digital é a educação escolar ser coerente com o mundo eletrônico atual.
Portanto, medidas são necessárias para resolver a problemática. Cabe ao Ministério da Educação - órgão responsável por todos os assuntos relativos ao ensino - promover a educação digital nas escolas, por meio de um projeto de lei entregue à Câmara dos Deputados. Espera-se, com essa medida, uma maior inclusão social na vida civil e, consequentemente, a redução do analfabetismo digital no Brasil.