A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 23/02/2022
O analfabetismo digital faz referência à incapacidade de um indivíduo de lidar com as tecnologias do mundo contemporâneo, tanto por carência de instrução a respeito de seus mecanismos práticos, quanto por desconhecer seus perigos e a responsabilidade a qual seu uso requer. No contexto atual, a questão supracitada é um dos principais desafios a serem enfrentados pelo Brasil, devido à evidente influência do universo digital sobre a vida dos brasileiros. Dessa maneira, é evidente a falta de preparo para lidar com os meios digitais e de segurança das informações compartilhadas online.
Em primeira análise, é necessário pontuar que a escassez de preparo para o uso de tecnologias é fruto do analfabetismo digital e pode oferecer riscos aos usuários. A prova disso é o ataque hacker ao sistema ConecteSUS, mantido pelo governo federal, que impossibilitou o uso da plataforma por duas semanas em 2021 e prejudicou o acesso ao certificado de vacinação contra Covid-19 em meio à pandemia. Portanto, a maior capacitação do Estado poderia notoriamente evitar o transtorno e conferir maior segurança ao uso dos meios digitais.
Em segunda análise, a segurança deveria se estender também às informações compartilhadas no mundo online, no entanto, a incongruência do ideal com a realidade vivida no país é notável. As redes sociais de políticos, por exemplo, ilustram a situação: a agência de checagem Aos Fatos estima que o Presidente Jair Bolsonaro faça 7 declarações falsas ou distorcidas por dia em seus perfis. Assim, é explícita a falta de comprometimento das autoridades com a disseminação de informações confiáveis e com a manutenção da cidadania no ambiente virtual.
Logo, mostra-se um dever dos ministérios, como o Ministério da Ciência e Tecnologia e o Ministério da Educação, proporcionar o ensino tecnológico às crianças de todas as idades, por meio de aulas curriculares de informática nas escolas. Assim, tal prática em conjunto com campanhas voltadas ao público adulto terão como efeito a conscientização dos principais usuários das tecnologias acerca dos riscos e compromissos congruentes ao mundo digital. Só assim o pleno exercício da cidadania também será estendido à virtualidade.