A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 30/05/2022
“A tecnologia move o mundo”. A frase do inventor e fundador da Apple, Steve Jobs, alude aos impactos da tecnologia e transformações na sociedade. Entretanto, a análise do panorama brasileiro evidencia que a relação do país com a tecnologia e seus benefícios ainda é conflituosa. Isso porque o analfabetismo digital permanece como característica intrínseca a nação. Nesse prisma, destacam-se dois aspectos importantes: a desigualdade de acesso e a base educacional lacunar. Em primeira análise, evidencia-se a inequidade de acesso como fator de manutenção do problema. De acordo com o geógrafo Milton Santos, no texto “Cidadanias Mutiladas” a democracia, extremamente necessária para a fundamentação do indivíduo, só é efetiva quando atinge a totalidade do corpo social , ou seja, na medida em que os direitos são universais e desfrutados por todos os cidadãos. Sob essa ótica, a ausência de democratização de acesso a equipamentos tecnológicos contraria os ideais de cidadania, posto que, por razões socioeconômicas e socioespaciais, parcela da sociedade não usufrui de tais equipamentos. Por conseguinte, não conseguem instrumentalizar-se para utilizá-los, tendo seu direito de acesso a informação mutilado. Além disso, a deficitária educação brasileira funciona como catalisadora do revés. Conforme Émile Durkheim, sociólogo alemão de extrema notoriedade, a educação, por meio de fator moralizador, proporciona ao indivíduo, liberdade. Nesse viés, se a base educacional verde amarela permanecer sem disciplina de educação tecnológica, o analfabetismo digital permanecerá como marca social, vindo a impossibilitar os brasileiros de conquistarem a liberdade plena evidenciada pelo pensador. Logo, é inconcebível a persistência desse cenário. Portanto, faz-se necessária a adoção de medidas que venham a amenizar esse quadro. Para isso, cabe ao Ministério da Educação juntamente com o Ministério da Ciência e Tecnologia, inserir o acesso à tecnologia na grade curricular brasileira, por meio de aulas que envolva o manuseio de ferramentas tecnológicas em sala de aula, articuladas pela distribuição de tablets para estudantes com renda familiar inferior à um salário mínimo, a fim de democratizar o acesso às redes. Somente assim, o Brasil desfrutará efetivamente dos avanços tecnológicos citados por Jobs.